Iluminações de Natal prometem polémica: preto como cor dominante e sem motivos típicos da época

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Uma mostra do ano passado, inspirada em Berlim, segundo Paulo David.

Se as iluminações de Natal e fim do ano, no ano passado, deram brado, este ano a polémica tende a ser maior, caso a proposta inicial vá em frente. Segundo o FN apurou, a conceção dos desenhos é novamente da chancela do arquiteto Paulo David, a mesma que no ano transacto gerou total descontentamento, com a diferença de que, em vez de branco, a cor predominante deste ano será o preto: luzes, árvores e outros adereços em tom predominante negro.

Vários agentes ligados a este setor estão na expetativa para ver o que a Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura vai viabilizar mas também esta não terá grande margem de manobra no domínio da criatividade artística a cargo de Paulo David, nome até já anunciado à comunicação social pelo secretário Eduardo de Jesus, para desenhar as iluminações natalícias.

Quem habitualmente trabalha nesta área está estupefacto e pede que se veja o cadernos de encargos deste ano para a surpresa ser maior: “É tudo muito esquisito. Não se aprendeu com a experiência do ano passado que tanta revolta causou e que deslustrou o Natal madeirense. Este ano, não há motivos de Natal que são tão típicos aos madeirenses e forasteiros. Mas a melhor iniciativa será mostrar os desenhos ao público a ver o que a população pensa. A nós parece-nos o Estado Islâmico, perdoem-nos a ironia”.

luzes 1Está ou não no prazo?

A concessão da empreitada também está envolta de controvérsia. A tutela veio a público dizer que a empresa que habitualmente ganha o concurso – Luso-Esfera –  está excluída porque não pagou a caução dentro dos prazos legais. Esta mesma empresa argumenta que pagou, podendo mesmo facultar as provas do cheque com as datas. Uma situação, no mínimo “esquisita”, e que leva a crer que o governo poderá querer descartar a Luso-Esfera e entregar a empreitada à “Lux Star”, uma empresa com quatro funcionários e vocacionada para a organização de arraiais. Da parte da gerência da Luso-Esfera, ninguém acedeu prestar declarações, remetendo-as para a tutela.

Mais preocupante ainda é a conceção das iluminações de Natal e fim do ano que tanta tinta correu o ano passado e que tende a repetir-se. Uma desilusão reconhecida até pelos governantes então no poder. Até essa altura, a Luso-Esfera ficava encarregue da conceção, construção e montagem. O ano passado, o governo deixou nas mãos de Paulo David a conceção dos trabalhos. Mas as coisas não correram nada bem. Este ano, está em questão não só a conceção dos desenhos como também o concurso para atribuição da obra.

O FN já abordou o arquiteto Paulo David sobre este assunto. Discreto e de parcas palavras, o arquiteto recusa-se a prestar declarações à comunicação social, dando a entender que trata dos assuntos nos lugares certos.

Por outro lado, da parte da Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, a exemplo de situações anteriores, os pedidos de esclarecimento tardam em merecer respostas ou não chegam, talvez preferindo-se depois os comunicados de esclarecimento.