Marcelo descola da indefinição e avança para Belém

MEMÓRIAS- TRÊS POTENCIAIS CANDIDATOSForam três candidatos que até chegaram a ser falados para a Presidência da República da esfera social-democrata. Mas só Marcelo Rebelo de Sousa foi o único a dar um passo em frente e oficializar hoje a candidatura.

A foto tem anos e o FN regista esta memória destas três figuras gradas do PSD cujos destinos se cruzam ainda nos tempos que correm. Jardim ficou à espera de apoios ou de uma vaga de fundo para essa rampa de lançamento a Belém. Mas não passou de general sem tropas. Durão Barroso não arrisca e prefere apregoar o seu saber nas universidades do mundo, adiando a candidatura a Belém.

“Cumprir um dever moral de pagar a Portugal aquilo que Portugal me deu”. As palavras são de Marcelo Rebelo de Sousa que hoje justificou aassim a sua candidatura à Presidência da República. Com 66 anos de idade, um currículo brilhante no Direito e a simpatia de muitos portugueses pela sua faceta de comentador político, Marcelo entra na corrida e deixa os potenciais candidatos a ver navios para já.

“Conheço por dentro o poder central e o poder local e até o cargo de Presidente da República, como conselheiro de Estado com dois presidentes e ainda a cena internacional como vice-presidente do principal partido político europeu. Conheço muito bem a constituição que nos rege. Sei qual é nela o papel do Presidente da República”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

A fechar a sua intervenção de doze minutos, que leu sozinho no palco com três bandeiras portuguesas em fundo, justificou a entrada na corrida a Belém com o dever de pagar ao país o que dele recebeu. “Ponderada também a situação nacional à saída das eleições para a Assembleia da República tinha de fazer uma escolha. Ou escolhia a solução que menos punha em causa o que faço com entusiasmo, os projetos pessoais de futuro, e faltava à chamada como alguns garantiam que eu faria, ou escolhia a solução que rompia com posições estáveis, sedutoras desta fase da vida, e pensava mais do que tudo no meu dever de pagar ao país o que dele recebi. O que dele recebi de educação que muitos não puderam ter, o que dele recebi de saúde, de oportunidades de vida, de experiência do Estado, nas autarquias locais, na comunicação social, na participação em cimeiras europeias e no conhecimento de protagonistas da vida internacional”.

“É tempo de pagar esta dívida moral. De outro modo, eu sentiria, até ao final dos meus dias o remorso por ter falhado por omissão”, salientou o candidato.