Ambiente de júbilo no Bloco de Esquerda

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As vozes altas e alegres reflectem o clima excelente que se vive na sede do Bloco de Esquerda, onde adeptos e candidatos acompanham os resultados na televisão, a par e passo. Há coisas assim. Ainda não há muito tempo o Bloco de Esquerda estava ausente da Assembleia Regional, onde não tinha um único deputado, e fazia uma travessia do deserto. Não esmoreceu. Hoje apresenta-se como a terceira força política a nível nacional e mesmo na Madeira, parece ter ultrapassado o CDS em votação. Um resultado histórico a todos os níveis.

Paulino Ascensão, cabeça de lista pelo BE pela Madeira, reagiu com modéstia ao Funchal Notícias: “Isto é, sobretudo, o efeito nacional. Esperava-se que o Bloco desaparecesse, a nível nacional, na Madeira também, e, olha, não desapareceu… está aí com força redobrada (risos). A explicação, atribuo-a ao facto de identificarmos os problemas, colocarmos o dedo na ferida correctamente, e apresentarmos as soluções que correspondem às necessidades das pessoas”.

Sendo uma força de esquerda, como a CDU, a verdade é que o Bloco conseguiu ultrapassá-la. “Temos um registo completamente diferente”, constata Paulino. A CDU está sempre ali no seu reduto, muito firme, nunca regista grande oscilação… nem crescem muito, nem perdem muito. Tem ali o seu reduto bem delimitado. Já o BE, tem registado grandes oscilações, e agora surge como a força que representa a verdadeira alternativa em termos de políticas para o país”.

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Satisfeito com a dialéctica que conseguiu com o eleitorado na Madeira, Paulino Ascensão insiste: “Creio que esta subida da votação é sobretudo o efeito nacional… a grande figura é a Catarina Martins. Isso teve também a sua tradução aqui”.

Já num comentário aos resultados obtidos pela coligação PSD/CDS, que se não ganhar por maioria absoluta, aparentemente andará lá perto, o candidato bloquista considerou que, após quatro anos de “agressão” ao povo português, este constatou que o partido que se esperava que fosse alternativa, o PS, acabou não por se apresentar como tal, mas antes como a continuidade, com poucas ‘nuances’, da mesma política. E entre o original e a cópia, as pessoas preferiram o original… já sabem com o que contam”.

“O PS”, declarou, “fez esta campanha cheio de tibiezas. Ora manifestava a sua fé no tratado orçamental,nas regras do euro, ora insinuava que poderia fazer algumas alterações, mas sempre sem convicção e imediatamente no dia seguinte desmentia essas mesmas insinuações que deixava em aberto. E as pessoas viram que não passava de uma cópia”.

Já num comentário ao CDS de José Manuel Rodrigues, que aparentemente fica para trás do Bloco na Região, Paulino Ascensão refere que é curioso que o candidato centrista tenha feito campanha repetindo o lema da experiência, ao salientar que era o único candidato da Madeira experiente no Parlamento nacional… Isto, “atendendo a ue as pessoas em geral têm má imagem dos políticos, sobretudo daqueles que fazem da política uma vida, uma carreira, uma profissão”. Ele vir invocar essa experiência, não lhe foi benéfico, insinuou.

“Julgo que as pessoas preferem gente nova, que não faça da política uma carreira, e com propostas que respondam aos problemas concretos”, sublinhou.