UMAR alertou para os direitos das mulheres idosas

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Conforme oportunamente anunciámos, a UMAR assinalou ontem o Dia da Mulher Idosa, com uma iniciativa nos jardins do Teleférico, no Funchal. Sendo o dia 1 de Outubro consagrado pela ONU como o Dia do Idoso, a UMAR dedicou este dia às mulheres idosas, uma vez que é uma associação vocacionada para a defesa dos Direitos das Mulheres.

“No mundo em que vivemos, de grande desenvolvimento e produção, não se pode aceitar que haja carências e falta de conforto para as pessoas idosas que contribuíram para o bem comum com trabalho profissional, descontaram para as suas reformas e sistema de saúde, e, no caso das mulheres, falando em termos gerais, criaram filhos, cuidaram das famílias, e muitas ainda colaboraram e colaboram em instituições sociais tais como: sindicatos, associações, partidos e outros”, refere a UMAR. .

As mulheres idosas, hoje tratadas como fardos pesados, uma vez que, no geral, estão a resistir mais e vivem mais anos que os homens, constituem, para alguns, um embaraço e uma despesa, pois, quando já estão em fim de vida, dão muita despesa em medicamentos,tratamentos, apoios e até internamentos, denuncia a associação.

“Aliás, convém lembrar que, para muita gente, as pessoas reformadas são sempre apresentadas de bengala, cadeira de rodas, acamadas… Mas isto não é a realidade. Grande parte das mulheres que se reformam ainda prestam muitos serviços às famílias e até à comunidade”, realça  UMAR.
“Cuidam de netos, de familiares mais velhos, pessoas doentes e participam na comunidade de diversas maneiras. Mesmo as que frequentam lares de terceira idade, muitas ainda confeccionam diversos trabalhos artísticos e artesanais, entre outros.
Muitas destas mulheres já tiveram muitas perdas na vida, sobretudo familiares e amigos e em larga escala sofrem de solidão e até de abandono. Nesta fase da vida, a solidão é um problema que muitas carregam e por isso vemos muitas delas a lanchar fora de casa e até a tomar o pequeno almoço, procurando companhia, alguém com quem interagir, porque em casa não têm com quem conversar. Algumas nem têm hábitos de leitura ( nem sequer aprenderam, por vezes) que é uma maneira de ocupar o tempo de forma lúdica e inteligente”.

Mas o mais grave, constata a UMAR, é a situação económica. A situação política levou o País tão fundo que as magras pensões de muitas reformadas, muitas vezes são o amparo de famílias inteiras, porque os mais novos estão no desemprego, com as suas vidas arruinadas.

“Para piorar, segundo informações que recebemos, muitas das idosas ainda sofrem de violência psíquica, física e, em muitos casos, violência económica. Segundo consta, há familiares e conhecidos que levam pessoas idosas já muito fracas para os estabelecimentos dos correios e aí esperam que elas recebam as pensões para lhes subtraírem o dinheiro. E às vezes espiam o carteiro e tiram-lhes o cartão da caixa de correio para levantarem e se apossarem das ditas reformas, deixando a pessoa idosa sem recursos durante um mês”, denuncia.

A UMAR alerta que o drama das pessoas idosas que ficam dependentes é lastimoso. Falta dinheiro para a compra de medicamentos e outros produtos necessários a pessoas doentes que precisam de uma alimentação adequada, camas articuladas, cadeiras de rodas e outros apetrechos. A grande maioria das famílias não pode arcar com estas despesas nem dispensar os cuidados necessários a estas pessoas e ei-las “largadas” nos hospitais, porque o governo não tem resposta adequada para elas. Uma vez que aumenta o número de pessoas idosas em fim de vida, é forçoso que sejam criados mais lares para a 3ª idade, para que estas pessoas sejam cuidadas convenientemente, com a dignidade que qualquer ser humano merece, sublinha a UMAR.
Que reclama por melhores cuidados para as mulheres reformadas, sobretudo as que estão em fim de vida, que se abram mais lares de terceira idade, para não vermos pessoas idosas quase abandonadas ou maltratadas.

“Neste momento, existe um novo conceito de Lares para a Terceira Idade, em que aquelas que ainda podem, têm oportunidade de partilhar tarefas e se sentirem mais úteis e ocupadas. Uma vez que há falta de Lares no sector público, que se construam novas estruturas para bem estar das pessoas idosas.
Para as que continuam a viver nas suas casas, deve ser alargado o serviço social ao domicílio, de modo que essas pessoas sejam mais acompanhadas e mais bem cuidadas e não padeçam de tanta solidão, falta de recursos, nem sejam abandonadas à sua sorte.
Mais: a UMAR apela às mulheres reformadas que, na hora do voto do dia 4 de Outubro, pensem quais foram os Partidos que têm cortado reformas e pensões e votem contra eles, de modo a contribuírem para uma mudança política no nosso País e uma melhoria nas nossas vidas”, exorta.