Motoristas da SAM queixam-se de sobrecarga de trabalho, empresa nega

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Motoristas da empresa de transportes SAM – Sociedade de Automóveis da Madeira denunciaram ao Funchal Notícias o que consideram ser uma prática que pode pôr em risco a segurança dos passageiros. Queixam-se os motoristas, que pediram para não ser identificados na reportagem, por temerem represálias, de que passam semanas sem gozar as folgas merecidas.

Por outro lado, afirmam que estão sujeitos a horários alargados, e que muitas vezes terminam turnos d mais de 12 horas e, sem o repouso necessário, iniciam outros turnos. “Isto”, dizem, “para não falar das folgas compensatórias aos domingos, que, sendo um direito que lhes assiste, nunca foram gozadas.

“Até as férias foram obrigados a gozar quando a empresa achou que deveria ser”, nomeadamente em meses impopulares para tal, como Janeiro e Fevereiro.

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Segundo os motoristas, esta situação já se arrasta há muito tempo. E nem ao menos, garantem, podem reclamar, ou sofrem consequências por parte das chefias, que “nem ao menos se dão ao trabalho de questionar se o motorista pode ou não trabalhar no seu dia de folga”.

Esta última situação, avançam, recai sobretudo nos contratados, que são constantemente relembrados do regime de contrato em que se encontram.

“Simplesmente não podem abrir a boca”, disse uma das nossa fontes, “pois são dispensados. Aliás, exemplo disso foi o que aconteceu há bem pouco tempo com um deles. E certamente irá continuar a acontecer com mais alguns”.

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Os motoristas queixam-se de que têm família e muitas vezes abdicam de estar com a mesma para poderem manter os postos de trabalho. “Mas depois podem ser descartados como lixo”, acusam. Porém, alertam que são eles que mantêm a empresa a funcionar e os autocarros a funcionar pelas estradas, servindo a população. Mas questionam: “Até quando a situação poderá manter-se assim sem haver nenhum acidente? E se houver, de quem será a responsabilidade?”

Nesse sentido, e através da aproximação ao Funchal Notícias, apelam para que “os administradores da empresa tomem medidas, antes que aconteça alguma desgraça”.

Queixam-se também de inoperância por parte das estruturas sindicais e da fiscalização rodoviária e do trabalho, relativamente a estas matérias.

A empresa SAM é que não está pelos ajustes e contesta as acusações. Contactada pelo Funchal Notícias, a SAM, através do seu administrador Paulo Pereira, afirma que procede ao cumprimento escrupuloso de toda a legislação, “seja ela do âmbito laboral, segurança rodoviária ou outro”.

“A SAM tem como actividade principal o transporte colectivo de passageiros, exercendo esta actividade desde 1943. Sempre se pautou pelo correcto relacionamento com os seus colaboradores, considerando a qualidade dos mesmos o seu activo mais importante”, sublinha Paulo Pereira.

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Por outro lado, este mesmo responsável sustenta que a empresa sempre deu o devido encaminhamento a todas as reclamações apresentadas pelos seus funcionários.

“Nas situações pontuais em que não houve acordo entre partes, as mesmas foram resolvidas em sede própria, junto das entidades competentes para o efeito”, garante.

Para o nosso interlocutor, o facto de os motoristas em questão estarem agastados com a falta de acção de estruturas sindicais e entidades de fiscalização rodoviária e do trabalho “serve apenas para confirmar que a SAM cumpre toda a legislação referente ao sector”.

Paulo Perera conclui, objectivamente, considerando que a SAM “não admite ser acusada, muito menos sob a forma de denúncia anónima, de não cumprir a legislação laboral ou qualquer regra de segurança relacionadas com a sua actividade”.