Madeirenses e turistas cada vez mais interessados nas Desertas

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Rui Marote (texto e fotos)
A Reserva Natural das Desertas é uma área protegida, reconhecida pelo Conselho da Europa desde Março do ano transacto, e que tem vindo a despertar cada vez mais interesse junto dos operadores turísticos, que a têm promovido junto dos cidadãos estrangeiros que visitam a Região.

A candidatura daquela que já é uma reserva natural importante há 26 anos foi aceite e o galardão foi entregue na reunião de especialistas do Diploma Europeu para as Áreas Protegidas, em Estrasburgo, na supracitada data.
Na ocasião, Paulo Oliveira, director do Parque Natural da Madeira, sublinhou que a distinção recebida contribuía para consolidar a importância daquelas ilhas enquanto pólo para actividade turística.
“O turismo de natureza está a alicerçar-se cada vez mais neste tipo de produto”, sublinhou.
As Desertas vieram, pois, juntar-se às Selvagens como áreas protegidas reconhecidas pelo Conselho da Europa. Duas numa só Região Autónoma.
O Funchal Notícias acompanhou uma visita dos operadores marítimo-turísticos da RAM às Desertas e constatou que a mesma é, principalmente, visitada por três embarcações, o ‘Ventura’, um pioneiro nestas visitas, o Bonita da Madeira e os catamarãs ‘Sea the Best’.

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Estas embarcações estão autorizadas pelo Parque Natural a a efectuar estas visitas, mediante o pagamento de uma taxa relativamente irrisória, por cada passageiro que desembarque na Deserta Grande. As viagens começam a ser, de facto, muito procuradas por estrangeiros, mas também por madeirenses. A deslocação demora todo um dia, pelo que é proporcionado a bordo um almoço volante. São cerca de duas horas e meia de viagem, em cada sentido, ou mais, consoante a embarcação.
Na Deserta Grande, as embarcações atracam numa bóia. Os passageiros que desejam ir a terra têm de fazer o percurso num bote de borracha, sendo transportados ao calhau. Mas há quem prefira fazer o percurso a nado.

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O desembarque é por vezes dificultado quando o mar se encontra agitado, e a ondulação é grande dentro da enseada. Tudo muito natural, sem dúvida, mas o Governo Regional já podia ter arranjado um pequeno cais para facilitar as coisas, mesmo que com meios relativamente artesanais. Isso facilitaria o desembarque em segurança às pessoas de certa idade.

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Navegar para o lado do Bugio é expressamente proibido – a ilha é um santuário natural, mas para permanecer isolado e ninguém ver, pelo menos por agora.
No local de desembarque, não há sequer estruturas de casa de banho: os turistas são avisados para se aviarem a bordo, antes de sairem do barco.
Em terra, porém, há um local apropriado para cozinhar e almoçar, devidamente protegido do sol e da chuva.

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Aos visitantes, é permitido percorrer os trilhos em volta das instalações do Parque, devidamente acompanhados por um guia que transmite uma explicação da fauna e da flora ali existentes.
Quanto aos vigilantes da natureza, possuem instalações condignas, inauguradas ainda no tempo do antigo secretário da tutela, Manuel António Correia.
Até existe no local um espaço para venda de T-shirts e recordações, do tipo free shop.

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No entanto, é muito pouco para oferecer ao visitante que efectua uma viagem de cinco horas de mar. No trajecto, sempre é possível ver alguma vida marinha, como golfinhos e por vezes algumas baleias-piloto.
O Funchal Notícias questiona: porque não arranjar um espaço para projectar um filme en diversas línguas, explicando o trabalho desenvolvido em toda aquela área? E proceder à distribuição de material informativo… à semelhança do que se faz em outras áreas visitáveis do mundo.

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Na Deserta Grande, são visíveis algumas cabras. Embora muitas tenham sido abatidas, para proteger o coberto vegetal, à chegada às Desertas, turistas e madeirenses foram “recebidos” por estes animais, nas escarpas.
Há anos, o número de cabras, descontrolado nas Desertas, obrigou o Parque Natural a proceder ao abate destes caprinos, o que gerou fortes críticas de certos sectores dos defensores dos animais.
Ontem, pelo menos oito cabras podiuam ser vistas nas escarpas. Ao percorrermos os trilhos assinalados em torno das casas dos guardas, constatámos que estes animais descem a montanha em busca de comida, alimentando-se de folhas de arbustos que começam a rebentar, principalmente durante a noite, como pode ser constatado facilmente – já que os trilhos estão cheios de dejectos dos mesmos.

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Um guarda do Parque Natural na companhia de biólogos estrangeiros, à chegada após uma visita ao cume da Deserta Grande
Um guarda do Parque Natural na companhia de biólogos estrangeiros, à chegada após uma visita ao cume da Deserta Grande