
Todas as palavras são poucas para dizer o indizível: a fé que leva anualmente ao Monte milhares e milhares de peregrinos. Não é apenas o arraial, a espetada e o bolo do caco, é uma cumplicidade inexplicável com Nossa Senhora do Monte que faz desta solenidade um “must” de agosto.

Ontem à noite, milhares de madeirenses e emigrantes cumpriram a tradição. Pequenos e grandes, com um cronómetro de férias, a festa viveu-se até madrugada. Impressionante a forma como os peregrinos mantêm o ritual de acender uma vela a Nossa Senhora do Monte, depositando simbolicamente nela as suas provações e aspirações. A tal fé que move montanhas.
Os comerciantes bem podem se dar por satisfeitos. A espetada, o vinho seco e as iguarias típicas do arraial saíram a rodos e até o clima ajudou a fazer a festa, com um serão de calor e aprazível, num Monte tipicamente frio mas romântico.
A Igreja foi pequena para tanta visita. Filas de católicos alinharam-se à entrada, desfrutando depois da esplêndida vista da baía do Funchal a 400 metros de altitude.

O Largo da Fonte e o Caminho das Babosas foram pequenos para tantos visitantes que chegavam às dezenas através dos Teleféricos da Madeira e de autocarro, uma forma fácil de chegar ao Monte. Curiosamente, o Funchal Notícias regista a tremenda afluência ao teleférico, a partir do Almirante Reis, apesar do custo não ser muito económico (7,5 euros, ida e volta). A fila era interminável para pôr o pé nas cabines rumo ao Monte.
A animação no Largo da Fonte continua a cativar os visitantes. É certo que havia um ou outro grupo organizado para a RTP mostrar as imagens, no seu direto habitual do arraial. O tradicional despique sempre ativo: “Nossa Senhora do Monte/ É madrinha de meu irmão/ Eu também sou afilhado/ da Virgem da Conceição”.
outra nota de registo: as tradicionais barracas de comes e bebes parecem ter-se adaptados às modas da juventude: em vez do tradicional vinho seco com laranjada, as opções recaem na poncha e nos shots.

No meio do povo, o FN cruzou-se ainda com a presença de algumas caras conhecidas da política regional, dos mais diversos quadrantes, a disputar eleições a 4 de outubro. Afinal, a festa não tem cor política. O presidente da Câmara Municipal do Funchal; Paulo Cafôfo, marcou também presença, na companhia dos seus colaboradores mais próximos.
As velas ficaram a arder noite dentro, numa fé interminável na Padroeira da Madeira. Vale sempre a pena regressar ao Monte. Uma caixinha discreta pedia esmolas à multidão com o fim específico da construção da Capela das Babosas, destruída pelo temporal de 20 de fevereiro. Uma generosidade que se impõe.
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