Fui surpreendido, no dia 31 de Julho, por este título do SOL: Bispos dizem “não” ao Papa. Aguçou-se-me a curiosidade, pois na semana anterior fora confrontado com uma 1ª página, onde era protagonista o principal visado de um triste caso de alarme social na Madeira. Surgia, agora, como admirador do Papa Francisco na luta contra a pedofilia. A persistência jornalística levou-me a comprar as duas edições. Receei que, recorrendo a jornalismo cabotino, se procurasse denegrir o Papa Francisco e a sua obra.
Não me levem a mal, mas conviver, anos a fio, nesta terra, com um jornal onde tivemos comportamentos destes, somos obrigados a ser cautelosos. Enganara-me. A apreciação que faço dos dois textos deixa-me uma avaliação, globalmente, positiva do SOL. Aquilo que eu imaginara como uma fractura grave entre os Bispos e o Papa não parece acontecer. Lemos opiniões de diversas pessoas que, se por acaso, viram as suas palavras deturpadas poderão dizê-lo. É paradigmático daquilo que afirmo o desmentido de Miguel Sousa Tavares, a 14 de julho, por não ter gostado do modo como o trataram.
Falei-vos do Sol, no seu todo. Porém o texto do dia 24, tendo a ver connosco, merece uma atenção especial. Desde 1993 que nos apercebemos que – Frederico Marcos Cunha – adora “ser estrela”. Carlos Santos deu-lhe oportunidade para voltar a brilhar. Nestes tempos, em que zurzir a justiça é desporto nacional, lá temos mais do mesmo. Ater-se àquilo que foram os argumentos mediáticos da altura não se justifica a menos que apenas se queira chicana. O processo judicial, hoje pode ser consultado. Carlos Santos, se o fizesse, ter-se-ia esclarecido. O Sr jornalista poderia ainda confirmar, com o ex-advogado Romeu Francês, a razão por que, apesar de todas as irregularidades apontadas, os Tribunais Superiores não lhes deram provimento. Sobre o processo judicial estamos conversados.
Poderiam ter-lhe surgido outras dúvidas, perante aquilo que ouviu e nos narra. Tentou interrogar-se sobre o modo como, numa saída precária, um preso estrangeiro apresentou passaporte para se identificar em Madrid? Não lhe suscitou curiosidade confrontar…”É numa pastoral que rezo missa” com as afirmações da Arquidiocese onde se diz: “…não consta que o referido… tenha celebrado em qualquer paróquia…” com a diocese do Funchal a proclamar ”pelo que é dado saber de então, não existiu qualquer processo canónico, pois tudo se iniciou e decorreu no âmbito civil, com o desfecho que todos conhecemos”? Onde deixa o Sr. jornalista a acção meritória do Papa Francisco, quando este condenado no âmbito civil se apregoa admirador do Papa, na luta contra os abusos sexuais na Igreja?
A minha dúvida. Qual o critério de suspensão da diocese que mantém o exercício da Ordem a um condenado, no âmbito civil, e, a retira a quem não foi condenado nos Tribunais Civis nem, tão pouco, pelas regras do Direito Canónico?
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