O Porto Santo é uma ilha atlântica pequena (42,17 km2), de uma região arquipelágica periférica (Madeira, da qual é cerca de 6% em superfície e uma das duas únicas ilhas habitadas) de um país periférico europeu (Portugal).
Tem como condicionante, ab initio, a descontinuidade territorial que determina dificuldades de acesso, uma pequena extensão territorial, escassos recursos naturais, reduzida população (cerca de 4.500 habitantes) e uma fraca economia praticamente em total dependência do sector terciário (serviços e turismo).
Marco histórico da expansão portuguesa do século XV, sempre, ao longo dos séculos, sofreu algum abandono por parte da coroa, depois da república e, mesmo, da irmã maior, Madeira.
Ilha quase plana (85% da superfície abaixo da cota dos 200 metros) apesar de possuir uma pequena cordilheira central cujo ponto mais alto é o Pico do Facho (516 metros), é muito pouco arborizada (alguns dragoeiros e zimbreiros ainda existentes) apesar dos esforços de Chiapa de Azevedo no primeiro quartel do século XX.
O coberto vegetal é principalmente constituído por um estrato herbáceo onde dominam as plantas anuais e bienais.
Apesar do aspecto árido característico, possui cerca de 320 espécies de plantas vasculares 10 das quais endémicas exclusivas do Porto Santo (exemplos: Saxifraga portosanctana, Erysimumarbuscula e Sideritis candicans var. multiflora).
Clima seco (precipitação anual entre os 250 e os 500 mm) estável, com pequenas variações térmicas (média de 22ºC no Verão e de 17ºC no Inverno, com uma humidade entre os 70 e os 90%) e uma temperatura da água do mar entre os 18 e os 26ºC.
Possui uma magnífica praia com cerca de 9 km de areal de areia carbonatada com propriedades comprovadamente terapêuticas (a maior parte das praias mundiais são constituídas por areias siliciosas).
A ilha tem escassez de água de nascente o que obrigou a um significativo investimento num sistema dessalinizador da agua do mar.
Embora nos primeiros tempos, após a sua descoberta e povoamento, tenha produzido cereais (em especial, trigo, centeio e milho), legumes e frutos, só cerca de 10% do território é utilizável para a agricultura.
Actualmente produz, em pequenas quantidades, leguminosas e frutos de grande qualidade e sabor muito por causa da constituição geológica do seu solo e da água.
A ilha foi povoada, principalmente, por portugueses do Algarve e por algumas famílias originárias da Flandres, Espanha e baía do Mediterrâneo cuja patronímia ainda subsiste nos actuais habitantes do Porto Santo (Melins, Vasconcellos, Perestrellos, etc.).
Ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII sofreu diversos ataques de piratas e corsários, franceses, argelinos e marroquinos que deixaram herança genética (características rácicas fenotípicas) e cultural (folclore, gastronomia, lendas e costumes).
Região assolada, quase constantemente, por ventos ligeiros que mudam frequentemente de direcção embora com predominância do quadrante norte (cerca de 29%), a partir do final do século XVIII (1794) começou a construir moinhos de vento em madeira, montados sobre um sistema de rodas que lhes permite acompanhar as mudanças de direcção do vento. Infelizmente, na actualidade, raros são os moinhos ainda em condições de funcionar e emprestar à paisagem os seus perfis característicos.
A arquitectura tradicional, ainda visível em alguns grupos agrícolas do Pedregal, Serra de Fora, Serra de Dentro e Sítio da Ponte, foi abandonada. As chamadas “casas de salão” construídas empedra aparelhada e cobertas de “salão” (argamassa de terra argilo/arenosa) eram quentes no Inverno e frescas no Verão.
A economia do Porto Santo vive do turismo. No entanto, pouco tem sido feito para transformar essa actividade num serviço de excelência que contribua, decisivamente, para quebrar a sazonalidade do destino e a extrema dependência dos veraneantes da Madeira (cerca de 70%) e do continente português.
A começar pelas dificuldades de acesso, continuando pela dependência do transporte aéreo para clientes de fora da Região Autónoma da Madeira, custo das viagens, alguma dependência dos operadores, isolamento em relação aos mercados internacionais, vulnerabilidade aos choques económicos exógenos, falta de liderança institucional e de articulação com o sector privado, deficiente envolvimento social da população, reduzido suporte técnico especializado (tecnologias de informação), falta de mão-de-obra formada e especializada na restauração e hotelaria, ineficiência dos serviços/atendimento, reduzido serviço de apoio à praia, preços excessivos em relação à qualidade dos serviços, excessiva dependência da iniciativa pública na animação, custo de vida superior ao da ilha da Madeira, há uma quantidade de situações e circunstâncias que têm impedido o fortalecimento da economia da ilha.
Seria importante efectuar benchmarking com outras pequenas ilhas pelo mundo que se dedicam à actividade turística e aprender com os casos de sucesso. Identificar a força motriz por detrás da economia das pequenas ilhas que têm obtido um sucesso sustentado.
É urgente adoptar critérios de qualidade com o objectivo prioritário na formação da estratégia da promoção da ilha. Promoção de formas alternativas de turismo (exemplo: turismo de saúde e bem-estar para os quais o Porto Santo tem as condições naturais adequadas). Promover a minimização de resíduos e a conservação e gestão energéticas para a preservação do meio ambiente. Incentivar a utilização das energias renováveis. Utilizar a tradição e a dinâmica da comunidade local (proteger os hábitos e costumes tradicionais, o folclore, a gastronomia, tudo o que distingue e individualiza o Porto Santo).
Promover o desenvolvimento turístico apoiado em critérios de sustentabilidade ecologicamente sustentável no longo prazo.
Fazer com que as receitas geradas na actividade turística fiquem, maioritariamente, na economia da ilha.
Efectuar um esforço na consciencialização interna dos habitantes do Porto Santo.
Estudar um eventual ajuste de preços fora da época alta (Junho, Julho, Agosto e Setembro) e criar actividades de animação ao longo do ano apropriadas aos mercados-alvo definidos.
Controlar a sobre-ocupação no Verão que cria problemas de trânsito (com a vinda, no ferry, de muitos automóveis da Madeira), dificuldades de abastecimento de bens essenciais, sobrecarga ecológica, confusão e não favorece a imagem do destino.
Apoiar a agricultura tradicional para fornecimento interno.
Regulamentar as muitas camas paralelas de acordo com a legislação actual impedindo, assim, alguma concorrência desleal e, em alguns casos, uma fraca qualidade do produto e dos serviços.
Efectuar o levantamento das centenas de casas que foram construídas em tempo de vacas gordas (cerca de 2.000) e que se encontram fechadas há anos, tentando construir uma alternativa para a sua utilização.
Apesar das ameaças representadas pela concorrência de destinos mais competitivos e com outra dimensão (exemplos: Brasil, Cabo Verde, Canárias), da crescente procurado turismo urbano em relação às “ferias de Verão”, acredito ser possível colocar o Porto Santo no mapa do turismo mundial.
Tem todas as características naturais para ser um destino de paz, mar, sol (2241 horas de sol/ano), gastronomia tradicional, paisagem (grande diversidade e beleza geológica), recuperação e bem-estar (areias da magnífica praia, qualidade dos produtos da terra, centro de talassoterapia de nível mundial).
Fundamental é unir esforços, coordenar acções (evitar o tradicional autismo de entidades públicas e privadas), criar rede, identificar os nichos de mercado, saber comunicar externamente (após uma eficiente definição do produto), estabelecer as parcerias necessárias.
Mas, talvez mais importante do que tudo o que está escrito, é ouvir as pessoas! Ouvir os residentes mas ouvir, especialmente, quem visita o Porto Santo e aprender com as críticas, sugestões e desejos. Juntar a isso um bom estudo do perfil do turista que procura, actualmente, os destinos com as características do Porto Santo e saber tirar de tudo conclusões sábias e definir estratégias que permitam um desenvolvimento harmonioso e sustentado da ilha do Porto Santo, para bem de todos.
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