Sucessão de erros de Brito explica demissão

Manuel Brito
Foto Rui Marote

Há uma semana que os médicos vinham a comentar no Hospital Central do Funchal que o atual secretário regional da saúde “estava por um fio” porque “andava a cometer erros crassos, que até nem eram expectáveis”.

O facto de Manuel Brito alegadamente colocar os interesses pessoais à frente dos profissionais e de fazer nomeações por amizades pessoais e não pelo mérito profissional foram minando a sua governação, tanto mais que já não era uma figura bem vista dentro do PSD/M, tendo resultado numa escolha pessoal de Miguel Albuquerque.

Há 100 dias no governo, Brito foi cometendo erro atrás de erro, sendo o mais gritante, a nomeação do amigo e médico Jorge Martins para coordenar o Serviço de Doenças Imunológicas, à revelia dos médicos da reumatologia que normalmente têm competência para decidir na matéria. O reumatologista Mário Rodrigues e ex-presidente do SESARAM chegou mesmo a apresentar queixa nas entidades competentes contra a decisão do secretário de escolher um amigo, de baixa, para chefiar um setor, em que a reumatologia teria forçosamente de ser ouvida.

Para além disso, Brito chamou Ana Marques para sua assessora, com isenção de horário, e a expensas do Hospital.

Mas a gota de água que fez transbordar o copo terá sido o facto de o Diário de Notícias do Funchal ter noticiado, hoje, que Brito é sócio de uma clínica privada, Clínica da Sé, sem ter entregue ou anulado a quota quando entrou para o governo. Uma evidente incompatibilidade de interesses que não podia passar em claro.

O clima de ebulição que se vive também na ortopedia hospitalar, tal como o FN deu conta, com consequências nefastas para os doentes, também não terão passado ao largo. Por outro lado, a opção por um diretor de urgência associado à gestão anterior não agradou aos profissionais hospitalares.

O seu antecessor, Mário Rodrigues, conseguiu descomprimir o clima de pressão e de insatisfação que se vivia no hospital, na sequência da gestão de Miguel Ferreira. Depois disso, o novo presidente do GR optou por Manuel Brito para pacificar o setor. Mas a opção veio a ser errada e, em 100 dias de governação, é a primeira mudança no novel executivo.

Aos jornalistas, Miguel Albuquerque declara que Brito sai a seu pedido, por “uma questão de honra”. Diz o governante que o secretário “se terá esquecido da quota residual que tinha numa clínica privada” e, portanto, ao ser divulgada, não tinha condições para continuar. Por isso, Albuquerque assume que indigitou João Faria Nunes para o lugar. Mas o FN sabe que esta decisão foi o corolário de sucessivos erros  cometidos por Brito que já não tinha condições para se aguentar por muito mais tempo no governo.


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