Vírus nas aves contagia alguns pombos no Porto Santo que estão a ser abatidos

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Foto Rui Marote

Há duas semanas que os técnicos do Governo Regional estão no Porto Santo, com equipas reforçadas, para combater a doença das aves que eclodiu nas rolas (Doença de New Castle) e que já atingiu alguns pombos que foram abatidos em algumas explorações, devido ao contágio.

Segundo este jornal on line apurou junto de fontes bem posicionadas em Porto Santo, o vírus passou das rolas para alguns pombos. Seguindo as regras comunitárias, há explorações que já abateram os pombos infetados.

Análises e vacinação

Neste momento, está a decorrer um processo de vacinação gratuita das aves para combater o vírus, conforme edital divulgado ao público, da chancela da Direção Regional de Agricultura.

Conforme a literatura em vigor, “a Doença de New Castle  (DNC), também conhecida como pseudo peste aviária, pneumoencefalite aviária, disordem respiratório-nervosa e a nível internacional – Newcastle disease é uma enfermidade viral, aguda, altamente contagiosa que acomete aves silvestres e comerciais, com sinais respiratórios, freqüentemente seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A manifestação clínica e a mortalidade variam segundo a patogenicidade da amostra do vírus. Essa patogenicidade pode variar de muito alta (amostra velogênica), para intermediária (amostra mesogênica) a muito baixa (amostra lentogênica). O agente viral pertence à Família Paramyxoviridae…”

O combate a este vírus está a ser coordenado pela Direção Regional da Agricultura. Há uma semana que o FN remeteu um questionário ao diretor Paulo Santos e ainda hoje aguarda pela resposta. No entanto, várias entidades contactadas por este jornal no Porto Santo declararam que não há secretismo nenhum à volta do assunto, até porque o problema não se revolve com silêncio mas com esclarecimento ao público, conforme o edital público divulgado e assinado por Paulo Santos. Não se identificam ao FN porque consideram que o processo está a ser coordenado pelo diretor regional da agricultura e não querem criar conflitos de competências.

Excelente ocupação turística

Recorde-se que o problema viral surgiu com as aves migratórias, as rolas, que passam por Porto Santo, na Quinta da Palmeira. Algumas destas espécies acabam por permanecer na Ilha Dourada.

A Quinta das Plameiras, onde o problema foi identificado, foi imediatamente encerrada. Daí para cá, a resposta tem sido rápida. As entidades têm procurado controlar o problema, aplicando os normativos em vigor: foram feitas análises, isolou-se as explorações com vírus e decorre agora um processo de vacinação gratuito que se espera poder colocar fim ao problema.

Há algumas perguntas no ar: e se os pombos transmitem o vírus aos galináceos? E se os pombos transmitem o vírus aos seus congéneres na Madeira? Perguntas clinicamente sem respostas absolutas. O que as fontes do FN asseguram é que a vacinação em curso permite controlar o problema e tranquilizar o público.

Outro dado apurado por este jornal on line foi o de que Lisboa se terá disponibilizado para ajudar o arquipélago neste combate, o que não terá sido aceite nesta fase, apesar das boas relações institucionais existentes. Um dado que não conseguimos confirmar.

O FN contactou ainda alguns técnicos especialistas nas questões de veterinária mas que optaram pelo silêncio, remetendo sempre o assunto para quem de direto: a Direção Regional de Agricultura.

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Foto Rui Marote

De resto, o FN soube ainda que os níveis atuais de ocupação no Porto Santo são excelentes, a ponto de se considerar que será, até outubro, dos melhores anos. Apesar de não ser uma opção barata, o Porto Santo está lotado, afirmando-se cada vez mais como um destino preferencial nas férias de madeirenses e continentais.

Após meses sem procura turística, a Ilha Dourada renasce do isolamento e da crise, espalhando otimismo junto dos empresários que bem precisam dos clientes.

A Doença de New Castle não implica, neste momento, qualquer risco, segundo os técnicos, de passar para os humanos.