Dentro em breve julgaremos o Governo. Mexendo-nos nos bolsos, equilibrou as finanças públicas. Única coisa de que se orgulha, e que manipula de mil e uma maneiras, como o bacalhau na gastronomia, para atrair votos. Todos sentimos que falhou. A Segurança – uma das funções do Estado – privatiza-se. As instalações da PSP são, agora, guardadas por privados. A Educação perdeu um mês de aulas. A Justiça não te(m)ve responsável político. A Autoridade Tributária, em roda livre, funciona à margem do Secretário de Estado. Nas privatizações as opacidades são evidentes. Este Gov, em 1984, teria à sua espera uma enorme derrota. Hoje, as sondagens não dizem isso.
Este texto é da responsabilidade de um “perigoso comunista” que se revê no pensamento dos “radicais de esquerda”: Ferreira Leite; Freitas do Amaral, Pacheco Pereira e Bagão Félix. Quero apenas deixar uns alertas para ajudar na identificação da realidade, habilmente, camuflada na espuma da propaganda.
O totalitarismo alemão estava no auge, em 1940, e já Churchill propunha à França uma União Política. Em 1945, a guerra findava com dois vencedores: USA e URSS; dois derrotados: Alemanha e Itália; dois não vencedores: França e Inglaterra. Um vencedor, herdeiro natural do Humanismo Cristão e do conceito de Liberdade, apoia a reconstrução Europeia juntando para isso derrotados e não vencedores. Emergem desses tempos: Churchill, Adenauer, Shuman e De Gaspari pela Europa e, Truman pelos USA. O trabalho destes homens desemboca no Tratado de Londres, em 1949. Cria-se o Conselho da Europa, pai da Convenção Europeia dos Direitos Humanos que, projecta para o Mundo uma mensagem civilizacional que urge preservar.
Avanços e recuos sempre houve, na Europa do pós-guerra. Recordo que, na sequência da ideia de rearmar a Alemanha, a França em 1953, numa aliança “à Syrisa”, juntou votos contra de Gaulistas e Comunistas. Os USA, fiéis à Liberdade, e coadjuvados – apesar de percalços como o anterior – pela Europa Ocidental, prosseguem a sua acção de combate ao totalitarismo. Passaram–se 30 anos. Três estados, herdeiros de uma versão light do totalitarismo nazi, muito por razões políticas, entram para o clube dos ricos. São eles: Portugal, Espanha e Grécia. A pobreza deixou-lhes fortes marcas. As populações entram, na CEE, com mais olhos que barriga. Isso foi-lhes fatal. Estavam vulneráveis a dirigentes populistas e irresponsáveis que, propondo-lhes o céu, esqueceram a minudência do equilíbrio orçamental.
As coisas agravam-se. Endividam-se os Povos para garantirem votos aos candidatos ao poder. A administração pública é partidarizada e aparecem cidadãos que, emigrados para os partidos, exibem riquezas inexplicáveis. A partidarização da Administração torna-se patológica. O descrédito nos partidos instala-se. As votações baixam, os partidos estremecem. A evidência impõe-se da Junta de Freguesia ao Parlamento Europeu. As chefias partidárias escolhem quem lhes obedeça e negociando, entre si, impõem aos eleitos regras de trabalhadores por conta doutrem. Foi assim que chegámos a uma Europa onde Democratas Cristãos, Sociais-Democratas e Liberais – o centro do espectro político – criaram a sua ditadura, esquecendo os problemas reais para se preocuparem com a contabilidade.
A triste realidade agravou-se após a implosão da URSS – o outro vencedor em 1945 – quando uma Europa que, sob o comandando de Estadistas concebera instituições que acenavam ao Mundo com uma mensagem civilizacional, está agora a discutir contas entre Estados Membros. A Segurança Colectiva deveria preocupar o Parlamento Europeu, pois temos à porta uma cruzada islâmica, potenciada com novos muros no interior. Sub-rogámos a Segurança nos USA. A Liberdade é elo de ligação entre USA e U.E. Não basta ser, é preciso parecer que assim é. O pensamento único, hoje vigente na Europa – bem expresso na violência da reacção de Passos Coelho quando, Ferreira Leite e outros, quiseram discutir um caminho menos gravoso para os nossos bolsos – indicia um choque entre a Liberdade e aquilo que parece ser o ressuscitar dos Impérios Russo e Alemão. Façamos votos para que o bom senso de 1945 volte superando a pusilanimidade de 1936. Esperemos que, como no passado, surjam – sob a protecção armada dos USA – émulos de Churchill, Shuman, Adenauer e De Gaspari.
Prometi que não escolhia campo de voto. Disse que deixaria ferramentas para se distinguir propaganda de factos reais. Julgo ter cumprido.
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