Câmara de Lobos aposta no edifício Torre Bela e no Ilhéu para atrair investimento hoteleiro

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A autarquia de Câmara de Lobos está empenhada em atrair empresários da hotelaria para o centro da cidade. Depois da decisão em vender o Edifício Torre Bela, uma estrutura de grande valor patrimonial, o município prepara-se para tomar posse da antiga lota com os olhos postos em mais um projeto turístico. Seguem-se as casas degradadas do Ilhéu.

O centro da cidade e a baía de Câmara de Lobos estão na mira dos investidores. À autarquia têm chegado propostas para criação e implementação de projetos hoteleiros na zona, não só de grupos de renome, como de empresários estrangeiros. A ideia será aproveitar o património edificado, típico da zona, para ali instalar unidades de turismo local, mais pequenas, mas integradas na dimensão e vivência daquela baía piscatória. A maioria dos projetos aponta para a recuperação de prédios antigos e degradados, localizados sobretudo no pitoresco ilhéu, outrora núcleo residencial das famílias de pescadores de Câmara de Lobos.

Um dos edifícios a ser requalificado é o da antiga lota de Câmara de Lobos, atualmente sem funções no que toca à receção do pescado. Naquele espaço, funciona apenas uma empresa de processamento de peixe – Só Pescado. A autarquia de Câmara de Lobos encontra-se neste momento a proceder ao registo do edifício. Conforme explicou ao Funchal Notícias Pedro Coelho, o terreno é do município, mas as benfeitorias pertencem ao Governo Regional. “Estamos a ultimar o processo de transferência para a posse da Câmara”, revelou o edil que gostaria de ver ali implementada uma unidade hoteleira, até ao final do seu mandato.

Numa fase mais adiantada, estão pequenas unidades de alojamento turístico local. Encontram-se já licenciados alguns projetos na Rua da Portada, cujos investidores são de nacionalidade francesa e que se apaixonaram pelo local de forte cariz pitoresco.

Rua da Praia, no Ilhéu.
Rua da Praia, no Ilhéu.

Também no ilhéu, na Rua da Praia, existe interesse explícito de alguns privados em adquirir alguns prédios típicos que se encontram desabitados ou devolutos. Neste caso, porém, a autarquia não tem conseguido responder à solicitações, uma vez que a maioria das habitações são propriedade da Investimentos Habitacionais da Madeira e do próprio Governo Regional que, em tempos, adquiriu as casas para realojamento dos moradores.

Nos últimos meses, o município de Câmara de Lobos tem estado a trabalhar juntamente com a Secretaria Regional das Finanças e da Administração Pública, no sentido de proceder ao levantamento dos edifícios que poderão vir a ser alienados.

A autarquia de Pedro Coelho está apostada em dinamizar o centro da cidade com turismo de qualidade. Um dos passos mais significativos nesse sentido prende-se com o edifício Torre Bela. Situado na Rua São João de Deus, será brevemente posto em concurso público.

Edifício Torre Bela, no centro de Câmara de Lobos.
Edifício Torre Bela, no centro de Câmara de Lobos.

O antigo prédio, onde já funcionou a Junta de Freguesia da localidade, será vendido com o objetivo de se reabilitar um dos edifícios de alto valor patrimonial da cidade. Ao que tudo indica, o Torre Bela deverá ser transformado em unidade hoteleira, mantendo a traça arquitetónica original. A intenção da autarquia é que o prédio ganhe uma nova vida como hotel de pequenas dimensões, com algumas dezenas de quartos, um passo decisivo no caminho traçado pela edilidade para que o coração da cidade não seja apenas um ponto de passagem para aqueles que o visitam.

Sem querer entrar em pormenores, Pedro Coelho garante que há grupos hoteleiros de renome interessados em promover um projeto turístico no Edifício Torre Bela. O autarca já fez saber que pretender utilizar a receita para reabilitar o centro de Câmara de Lobos. A autarquia espera apoios do Governo Regional no processo, dada a sua mais-valia para a Região.

Câmara de Lobos, um dos concelhos da faixa sul da ilha da Madeira, é conhecido pela sua baía piscatória, pelo mais alto promontório da Europa, o Cabo Girão, pelos seus vinhedos e por produtos de grande qualidade, como a castanha e a cereja. No entanto, é um dos mais modestos na oferta turística, apresentando um dos menores rácios em matéria de camas hoteleiras.

“A Câmara está empenhada em criar condições e a desbloquear processos no sentido de apoiar o investimento privado neste sector”, sublinhou Pedro Coelho, que aguarda um novo impulso no investimento, após o período de transição dos quadros comunitários.