Obras a bom ritmo em porto infestado pelas gaivotas

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Com Rui Marote (fotos e texto)

As obras prosseguem a bom ritmo no porto do Funchal. Quer se goste quer não, há muito dinheiro empatado no porto, e os tempos em que Miguel Albuquerque, então presidente da autarquia funchalense, deixava transparecer o seu desagrado com esta obra, decidida praticamente à revelia da Câmara Municipal, já lá foram. As melhorias no porto destinado a servir os navios de cruzeiro continuam, e melhor será que fiquem bem feitas, já que terão de ser mesmo pagas pelos contribuintes.

O Funchal Notícias foi verificar como avançam os trabalhos e registou alguns pormenores interessantes, pela objectiva de Rui Marote.

Na Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses já se encontram concluídas algumas infraestruturas, como um parque de estacionamento para autocarros de turismo, que terão por missão transportar os visitantes de e para os paquetes.

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Novas docas para autocarros de passageiros já se encontram prontas

À beira-mar encontra-se já também uma carrinha dos Portos da Madeira, que servirá de escritório móvel. Quanto à infraestrutura portuária, está separada dos transeuntes através de uma vedação e de um portão que proporcionará o acesso dos turistas ao navio.

Muito menos bonito do que o que já foi feito, é constatar como a inacessibilidade de pessoas a determinadas zonas portuárias, aparentemente ditada pelo estrito cumprimento de normas internacionais de segurança, não só retirou a muita gente a possibilidade de se concentrarem junto ao mar e de estarem em convívio próximo das grandes embarcações que nos visitam, como transformou algumas áreas em autênticas pistas de aterragem para gaivotas, num ambiente fétido e pintado de branco pelas fezes das aves marinhas, já que não está lá ninguém susceptível de as assustar.

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Recorde-se que ainda não há muito tempo uma equipa de investigadores chegou à conclusão que os dejectos de gaivota são perigosos para a saúde humana, uma vez que são portadores de bactérias que tornam a acção dos antibióticos cada vez menos eficaz.

O aumento da resistência de algumas bactérias existentes em gaivotas que se estão a deslocar para o interior do Porto – e que também se encontram no intestino humano – está a preocupar investigadores portugueses. Os mesmos temem que, em última análise, isso possa vir a pôr em causa a própria saúde humana. Os excrementos das aves transformam-se num pó muito fino quando secam, o qual poderá entrar no organismo humano quando é soprado e espalhado pelo vento.

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Uma área portuária completamente conspurcada pelos dejectos das gaivotas

Ora, entretanto, dentro de duas semanas o novo porto receberá o primeiro navio de cruzeiros. E quem aqui chegar deparar-se-á, aparentemente, com um ‘tapete’ de boas vindas aos turistas que lembra mais uma pintura de Jackson Pollock, o artista que se tornou conhecido pela técnica do ‘dripping’, ou seja, de fazer pingar tinta sonre uma tela deitada na horizontal… só que não se trata de tinta, é mesmo… caca.

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Até os cabeços de amarração dos navios estão pintalgados com os excrementos das gaivotas. O mesmo, escusado será dizer-se, também acontece com toda a via de desembarque dos passageiros. Não será, provavelmente, exagero dizer-se que o número de gaivotas triplicou no Funchal… O engraçado é que, esta manhã, nenhuma destas aves permanecia no novo pontão, apenas porque uma meia dúzia de pescadores espalhados ao longo do novo porto, de forma mais ou menos clandestina, funcionavam como ‘espantalhos’ das mesmas.

Não será de apresentar, pois, uma sugestão: que o novo porto permaneça aberto aos amantes da pesca em dias em que não haja movimento de navios?