
“Dolls” é o nome da exposição que estará patente a partir de hoje no espaço “O Aconchego”, da autoria de Sara Aguiar. A professora e artista apresenta ao público pela quinta vez as suas “bonecas”, expressões materiais, em tela e cor, da sua personalidade.
Sara Aguiar é uma artista plástica autodidata. O gosto pela pintura, sobretudo a partir do estudo do rosto, surgiu já na fase adulta. Começou a explorar técnicas e materiais a título particular e um dia perdeu o receio de trazê-los ao conhecimento do público. Tem organizado exposições desde 2006 e criou a sua própria linha de acessórios de venda online, ganhando admiradores e clientes um pouco por toda a parte.
Este sábado, volta a apresentar os últimos trabalhos, naquela que é a sua quinta exposição. São cerca de 41 telas de vários tamanhos que estarão em apresentação no restaurante “O Aconchego”, situado à estrada Monumental, a partir das 11 horas.
Nascida há 40 anos no Funchal, Sara Aguiar viveu grande parte da sua vida no Continente antes de regressar à Região, onde leciona a disciplina de Físico-Química. Reparte o seu dia a dia entre a família, as aulas e a pintura. Tem no público estrangeiro que visita a Região o principal cliente e admirador.
Funchal Notícias – Quais as técnicas utilizadas e os assuntos representados?
Sara Aguiar – Desenvolvo o que se designa por mixed media, ou seja, mistura de várias técnicas: colagens, acrílicos, pastel, aguarelas, carimbos, estampagem, lápis de cor… Além disso, adoro desenhar caras. Em vez das palavras prefiro exprimir-me através dos desenhos. As caras das bonecas escondem muita informação. Claro que cada um vê o que quer ver. Divago sobre o autoconhecimento. No fundo, as bonecas representam partes da minha personalidade.

FN – Quando começou a expor e qual tem sido a recetividade?
SA – Foi em 2006. Tenho tido gente interessada no meu trabalho. Neste momento, estou a dar os primeiros passos na área da ilustração infantil. Isto aconteceu depois da exposição de janeiro de 2014. Tenho um livro pronto e já estou a trabalhar noutro projeto diferente.
FN – A pintura é um passatempo, profissão ou paixão?
SA – Paixão, definitivamente.
FN – Como surgiu? O que a inspirou?
SA – Surgiu há 10 anos no contacto com colegas na escola. Participei num atelier para professores com colegas de EV. Houve uma pessoa que me inspirou muito, a Carla C. Foi a minha única professora ao vivo. A partir daí tenho tido professoras de todo o mundo. Faço workshops online e tenho aprendido muito.
FN – Qual a dimensão da pintura na sua vida pessoal e profissional?
SA – Todos os dias faço um rabisco, um desenho, pinto uma cara no meu caderno preto, simplesmente porque adoro. Gosto de sair de casa, levar a mala artística e fazer qualquer coisa seja num café, na praia… Enfim, está sempre presente.

FN – Para além dos quadros, tem artigos do dia a dia onde figuram as suas pinturas. O que distingue esta vertente de explorar outros suportes?
SA – Numa só expressão “Art you can wear”. Melhor dizendo, tento dar uma função às minhas imagens. Não as apresento apenas em quadros e telas. Mando-as imprimir também em vários artigos de vestuário e acessórios, desde malas a t-shirts, capas de telemóveis, flip- flops.
FN – Grande parte destes produtos estão disponíveis online. Que resultados tem obtido?
SA – Os meus artigos podem ser adquiridos no Etsy, um site de artesãos, mas ao vivo são mais impressionantes. Não vendo muito online, embora tenha igualmente os meus sites das malas e t-shirts. No entanto, as pessoas preferem encomendar pessoalmente. Ainda existe um certo receio das vendas online, de que o artigo não chegue. Os sites americanos com que tenho trabalhado são muito competentes e cumpridores.
FN – A parte comercial condiciona a artista? Como articula estas dimensões?
SA – Quando se vende ótimo. Quando não se vende paciência. Não vivo disto (ainda). Mas quem sabe o que o futuro nos reserva.
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