Sector hortofrutícola continua a dominar o Mercado dos Lavradores

 

 

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Se alguém esperava que a reunião pública da Câmara Municipal do Funchal, marcada para as 17h30 da tarde de hoje, redundasse em momentos de tensão, desiludiu-se. Foram muitos os comerciantes do Mercado dos Lavradores que compareceram hoje nos Paços do Concelho, para a reunião, já que estava em causa a sua contestação às intenções do executivo de Paulo Cafôfo para aquele espaço; mas tudo terminou em bem, numa atmosfera fraterna marcada por congratulações de parte a parte e de aplausos às diferentes partes opositoras num conflito que bem foi alimentado mas que não chegou a acontecer.

O Diário de Notícias da Madeira chegou a noticiar que fora solicitado um reforço da presença policial na Câmara, por causa da previsível afluência de comerciantes descontentes, mas não se viu nem um único polícia no local. Quanto ao comportamento dos comerciantes em causa, foi calmo e civilizado. Nem a demora de cerca de uma hora antes que terminassem as deliberações entre os representantes das diversas forças políticas com assento no município causou excessivo desconforto.

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A decisão unânime dos vereadores dos diversos partidos representados contribuiu para apaziguar quaisquer ânimos menos pacíficos, dos quais, porém, não se dava conta, à entrada para a sala da Assembleia Municipal, que ficou bem preenchida de povo.

O procedimento concursal para os espaços disponíveis no Mercado prossegue como previsto, conforme a lei. Mas os comerciantes que já lá labutavam poderão manter o objecto da sua actividade económica, não tendo de a alterar. 35 espaços continuam, assim, a funcionar nos mesmos moldes, dedicados a actividades de comércio hortofrutícola. Outros 15 poderão albergar outras actividades, vendendo frutas transformadas, chocolates, cerveja, etc. A ideia é a de atrair mais gente ao Mercado, ampliando o leque de oferta comercial naquele espaço.

O presidente da Câmara, Paulo Cafôfo, explicou aos jornalistas como foi possível chegar a um consenso: “Havia uma série de lojas que já estavam fechadas, e uma série de contratos de concessão que tinham já caducado, e nós fomos obrigados, porque assim exige a lei, a proceder a novos concursos e a definir o que serão as regras e os objectos dos referidos procedimentos concursais. A Câmara fez um estudo sobre o que serão as novas tendências dos mercados, tentando criar uma mais valia para o Mercado dos Lavradores, o sítio mais visitado da cidade, que tem uma história e uma identidade que queremos preservar. A questão era haver uma evolução, relativamente aos conceitos tradicionais, fazendo com que os madeirenses afluam mais ao Mercado. Os turistas vão ao Mercado, fazem as suas compras.. os madeirenses não”.

mercado reuniao 032Cafôfo queria inovar, mas a intenção de inovação não foi muito bem recebida pelos comerciantes nem por uma boa parte do público.

De qualquer modo, ontem afirmou que os produtos agrícolas são, e continuarão a ser, a essência do Mercado.

A CDU apresentou ontem na reunião de Câmara uma proposta de suspensão da deliberação tomada numa reunião anterior da CMF, ou seja, a suspensão do concurso das lojas e dos stands no Mercado.

“Fizemos uma alteração a essa proposta de suspensão: não era viável suspender o concurso. O que o Executivo propôs foi uma revogação parcial do mesmo. Só é, pois, revogado o concurso para alguns stands e algumas lojas”.

Apenas 25 stands seriam destinados a produtos hortofrutícolas, na intenção de Cafôfo: mas 36 permanecerão, portanto.

Os novos conceitos, como produtos biológicos ou frutas transformadas, ficarão a aguardar que haja possibilidade de entrar nos espaços que irão a concurso.

Ou seja, haverá um novo concurso, com novas datas a marcar, para estes espaços para os quais foi agora revogado o procedimento concursal. Como referimos, trata-se de 15 espaços que verão redefinido o seu objecto.

“Dentro em breve teremos um novo mercado, com mais oferta e com maior qualidade”, congratulou-se Cafôfo.

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Por seu turno, os vereadores da oposição, Bruno Pereira (PSD), Artur Andrade (CDU) e José Manuel Rodrigues (CDS-PP) intervieram todos perante os comerciantes, congratulando-os pela exemplar postura associativa e democrática que demonstraram neste caso, defendendo legitimamente os seus interesses de forma ordeira, o que permitiu a tomada, por parte da Câmara, de uma decisão consensual nesta matéria. Por isso, Artur Andrade pediu uma salva de palmas para os comerciantes,que já anteriormente tinham agradecido, através dos seus representantes, a Cafôfo a alteração da sua posição.