
Os alunos de 9.º ano de escolaridade efetuaram hoje o exame nacional de português. Noutro patamar, no ensino secundário, os alunos de 11.º ano realizaram o exame nacional de filosofia. Estes são os factos, como também é facto a obrigatoriedade de os alunos não se puderem furtar a estas provas que complementam a sua avaliação global em 30%.
No que toca à prova de filosofia, pude auscultar os comentários de alunos e de professores que foi acessível, porque os conteúdos selecionados faziam parte do programa e não se registaram as surpresas que, em exame, resultam sempre mal.
No que tange à prova de português do 9.º ano, com mais propriedade poderei dizer que esteve ao nível do que tinha sido pedido aos estudantes ao longo do ano. Mas já não subscrevo os comentários, no rescaldo da prova, de que foi demasiado fácil e que o próprio Ministério deveria exigir ainda mais dos alunos nesta prova de fogo.
Em português, os pratos da balançam pesam mais sobre a redação às questões propostas e os conhecimentos gramaticais do que propriamente sobre outro palavreado de facilitismo. Quantas vezes se ouve os alunos tecerem louvores a um exame e, depois, por força dos critérios apertados de correção, as notas ficam bem longe das expetativas. É isso. Na ilusão da facilidade, ficam camuflados apertadíssimos critérios de correção, com níveis de desempenho tabelados e que obrigam um professor consciente a não fazer tábua rasa.
Em termos de estrutura, a prova segue o modelo tradicional, amplamente treinado pelos alunos ao longo do ano. Ao nível do conteúdo, e querendo manter a unidade temática nos grupos, mergulharam-se os alunos nas odisseias da navegação e das tempestades, numa clara homenagem a Luís de Camões e Fernão Mendes Pinto. Sendo textos com uma linguagem muito remota, nada familiar aos alunos, podem provocar equívocos de interpretação, apesar do estudo em sala de aula. Mas convém demonstrar que o estudo foi feito e que, mais que decorar esquemas, é preciso redigir em linha com o texto.
Decisiva na avaliação de cada aluno será certamente as questões de expressão escrita, a variedade e riqueza vocabulares, a criatividade expressa na construção frásica e de sentido. Este é que é o ponto. Infelizmente, verificamos cada vez mais que os alunos tendem para a simplificação vocabular e para a construção frásica demasiado singela. Neste ponto é que todos devem redobrar esforços. Parece que até ao quarto ano, a atenção a estes aspetos fica assegurada, mas, nos anos seguintes, algo se perde em termos de leitura, de redação e de alguma paixão pelo português.
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