Ireneu Barreto pede a Lisboa para não ignorar a Constituição

Reduzir o desemprego e respeitar a Constituição: Pedidos feitos a Lisboa a partir do Palácio de São Lourenço.
Reduzir o desemprego e respeitar a Constituição. Pedidos feitos hoje a Lisboa a partir do Palácio de São Lourenço.

Ireneu Barreto aproveitou a cerimónia de imposição de insígnias do Dia de Portugal para enviar um recado a Lisboa e à Assembleia da República em particular. A Constituição não pode ser ignorada ou menosprezada, sob pena de se pôr em causa a coesão nacional e social.

O representante da República para Madeira falava ao final desta manhã, no Palácio de São Lourenço, no decorrer da cerimónia de entrega de condecorações do 10 de junho. Perante uma plateia composta por entidades civis, militares e religiosas, Ireneu Barreto defendeu mais atenção do Estado para as questões sociais, devendo a redução do desemprego e o respeito pela Constituição constituir “matérias urgentes da agenda política e social.”

Naquela que foi a última sessão do Dia de Portugal deste mandato, Ireneu Barreto quis igualmente lembrar os cidadãos anónimos, portugueses residentes no território nacional e espalhados pelo mundo, para defender que a coesão não pode ser entendida apenas do ponto de vista da continuidade territorial.

“Não há coesão nacional nem verdadeira solidariedade fora dos limites da dignidade humana”, sublinhou o representante, sob o olhar atento de deputados, autarcas, ex-governantes, militares, elementos do clero e demais público presente na cerimónia.

Para Ireneu Barreto, a redução do desemprego deve ser matéria urgente da agenda política e social. “Não há liberdade quando falta trabalho”, sustentou, recordando que este valor e a conceção de dignidade humana dependem igualmente do respeito pela Constituição

“Não pode ser esquecida ou remetida para lugar menos central do campo de visão da política ou da sociedade”, avisou Ireneu Barreto, citando os artigos 1º e 2º da Lei Fundamental. “Trata-se de princípios estruturantes da República Portuguesa, que o Estado, e em particular o legislador, não pode ignorar, menorizar ou olhar com condescendência”.

O representante da República considerou oportuno trazer à memória os muitos portugueses que atualmente sofrem, “tão carentes de atenção pública e de uma palavra de esperança e solidariedade”, lançando o repto para futuras reflexões quanto ao paradigma da diminuição da natalidade e à perda de autonomia dos Estados num mundo globalizado.

Ao início da manhã, na cerimónia de deposição de flores no monumento ao emigrante madeirense, Irineu Barreto defendeu a criação de uma
Ao início da manhã, na cerimónia de deposição de flores no monumento ao emigrante madeirense, Ireneu Barreto defendeu a criação de uma “loja do cidadão” destinada à diáspora.

Educação e vocação marítima

Numa intervenção marcada por um olhar quanto ao futuro, Ireneu Barreto elegeu a educação, a inovação, a juventude e a vocação marítima como os desígnios nacionais que deverão nortear os eixos estratégicos de Portugal.

No entender do responsável, a Educação é um dos principais fatores decisivos para que o país consiga afirmar-se internacionalmente, garantindo aos jovens ferramentas capazes de torná-los competitivos.

“Os nossos jovens são hoje detentores de um estatuto de cidadão do mundo. Esperamos que a juventude contribua para a inovação e para a nossa imagem”, exortou o responsável, lembrando que a modernidade só será real com investimento, dedicação e rigor em todos os patamares da gestão pública e política.

Considerando a Educação a “condição inultrapassável” na história e no futuro de um povo, Ireneu Barreto elegeu também a vocação marítima como um dos vetores estratégicos de liderança.

“Ainda não atingimos o alto perfil que a extensão e a riqueza do nosso espaço marítimo permitem”, sublinhou. “Possuímos uma biodiversidade invejável que é fundamental acarinhar e condições únicas para proceder à sua articulação com o aproveitamento económico dos recursos marinhos. Este é um desígnio nacional importante, no qual a Madeira tem um lugar essencial graças à sua localização geográfica, riqueza ambiental, coragem e capacidade inovadora de ceras empresas”.

Entre os convidados esteve Alberto João Jardim. O ex-Presidente do Governo Regional ficou sentado na primeira fila, ao lado de atuais governantes, autarcas e deputados da oposição.
Entre os convidados esteve Alberto João Jardim. O ex-Presidente do Governo Regional ficou sentado na primeira fila, ao lado de atuais governantes, autarcas e deputados da oposição.

Sendo esta a última cerimónia de imposição de insígnias deste mandato a que preside, Ireneu Barreto fez igualmente um balanço da sua ação enquanto representante da República para a Madeira, realçando a relação institucional “baseada no respeito e numa leal cooperação” mantida com o anterior Governo Regional e com a anterior Assembleia Legislativa Regional. Relativamente ao novo ciclo político, manifestou-se satisfeito com as promessas de diálogo e cooperação.

“Portugal, não desistas de nós!”

A cerimónia contou ainda com a leitura do texto premiado este ano no âmbito do concurso literário promovido pelo Palácio de São Lourenço sobre o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Sofia Henriques, aluna de 9º ano do Colégio de Santa Teresinha, fez eco das suas palavras de incentivo e motivação perante as adversidades, sublinhando ser esta a altura para crescer historicamente e que há muito ainda para descobrir. “Portugal, não desistas de nós. Sei que vamos conseguir.”, leu a jovem premiada.

Antes da entrega das distinções, houve ainda declamação de excertos de Camões, Fernando Pessoa e Ricardo Reis (heterónimo), Florbela Espanca, Manuel Alegre, António Botto e Sophia de Mello Breyner por três alunos do Curso Profissional de Artes do Espetáculo/Interpretação do Conservatório-Escola das Artes.

Os condecorados pelo Presidente da República: Almada Cardoso, em representação da Sociedade Protetora dos Pobres, Joana Coelho e Carlos Lélis.
Os condecorados pelo Presidente da República: Almada Cardoso, em representação da Sociedade Protetora dos Pobres, Joana Coelho e Carlos Lélis.

Distinções à educação, cultura e apoio social

Este ano, no âmbito das comemorações do 10 de junho, o gabinete do Presidente da República decidiu agraciar duas individualidades ligação à educação e à cultura e uma instituição de natureza social da Região. Coube a Ireneu Barreto, o representante da República, atribuir as insígnias de Grau de Comendador da Ordem da Instrução Pública a Joana Coelho, de Grau de Comendador da Ordem de Mérito a Carlos Lélis, e de Membro Honorário da Ordem de Mérito à Associação Protetora dos Pobres.

Joana Coelho foi distinguida pelo seu trabalho no Ensino no Porto Santo e percurso político.

Carlos Lélis, secretário regional da Educação entre 1977 e 1980, viu reconhecida a sua ação cultural, política e cívica.

A Sociedade Protetora dos Pobres, mais conhecida como a “Sopa do Cardoso”, instituição criada em 1889, viu ser reconhecido o seu trabalho na área da intervenção e promoção social dos mais carenciados. Foi Almada Cardoso quem recebeu a distinção das mãos de Ireneu Barreto.