
Há lugares na Madeira tão belos quanto de natureza deveras rebelde. A
Ribeira Brava é um desses casos. A Oeste da Madeira, entre Câmara de Lobos e São Vicente, a Ribeira Brava impõe-se como uma das zonas mais movimentadas da Região. Bem podem dizer que já foi mais e que as vias rápidas desviaram os visitantes para outras paragens de imediato acesso.
Mas, com mais ou menos forasteiro, lá está ela, marítima, a lutar com heroísmo contra as intempéries que a têm fustigado, sempre de pé. Os nomes não nascem por acaso e têm muito o punho da sabedoria popular. A toponímia é explicada por Gaspar Frutuoso, nas Saudades da Terra, nestes termos:
(…) e pozeram muitos dias no caminho até chegarem dahi a três léguas a uma furiosa ribeira, na praya da qual estava aguardando o capitam, que em terra desembarcara, e tinha ahi traçado huma povoação, a que deu nome Ribeira Brava, pela que corria neste logar (…)
Que dizer das suas quatro freguesias, Campanário, Ribeira Brava (sede de concelho, Serra de Água e Tabua? Campanário destaca-se com o elevado número de população, um verdadeiro ilhéu no mar; a Ribeira Brava, sede do concelho, tem uma boa oferta de restauração, balnear e hoteleira; aTabua, mais serrana, igualmente viçosa, e a Serra de Água, construída nas margens da ribeira acima, apesar de maltratada pelos temporais, liga ao norte da Ilha, num passeio deveras aprazível, Encumeada fora.
Os Censos de 2011 apuraram que o município conta com 13.375 habitantes distribuídos por uma área de pouco mais de 65 quilómetros quadrados. É o mais jovem concelho da Madeira, uma vez que, a 6 de maio de 1914, verificou-se o seu desmembramento da Ponta do Sol e de Câmara de Lobos, graças ao papel ativo do histórico Visconde Francisco Herédia. O crescimento populacional também deu o seu contributo. A Ribeira Brava, em termos culturais, destaca-se pelo solar do Visconde Herédia, datado dos séculos XVIII-XIX, e pelo Forte de São Bento.
No verão, os arraiais dos santos populares são bem festejados e animados, assim como outras festas locais. Afinal, este município também tem fortes tradições na emigração para França, Venezuela e Brasil. Filhos da terra que regressam no verão para matar saudades e animar a alma com os arraiais tradicionais.
Dar um passeio até à Ribeira Brava para tomar um café numa esplanada à beira mar poderá ser uma opção de fim de semana ou de fim de tarde. A hospitalidade da gente e a serenidade da zona tornam-se acolhedoras. Por vezes, as obras na frente mar enervam os visitantes. Mas fazem parte e do mundo civilizado atual, já que o desenvolvimento não se faz sem obras.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






