Praia Formosa: quem conserta tal desconcerto?

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A promenade invadida pelo calhau não oferece segurança aos visitantes.

A pouco mais de um mês do início da época balnear, a Praia Formosa apresenta sinais de degradação que condicionam o uso da zona. Turistas e residentes são obrigados a desviar-se de pedras e promenades destruídas pelo mar.

Dizem os antigos que o mar tem memória e que um dia virá reclamar o que lhe tiraram. Isto a propósito das obras e intervenções que vão sendo feitas na orla marítima e que desafiam a força das vagas. Foram hotéis, promenades, marinas e paredões. Tudo obras de engenharia e fatura pesadas que, à mercê das marés, terão de estar sempre a pagar para se manterem de pé.

Quem é ilhéu e vive paredes meias com o vasto oceano conhece os caprichos das levadias de sul e os seus efeitos demolidores. Quando a ondulação está mais agreste e a maré atinge o seu ponto alto não há muralha que sempre resista nem calhau que aguente.

A Praia Formosa é conhecida pelas correntes matreiras e ondas alterosas. Todos os anos, após o período de inverno, a zona apresenta marcas bem visíveis da passagem da correnteza. As autoridades procuram minorar os estragos com obras de recurso, mas o mar não esquece e lá faz das suas, não poupando restaurantes, bares e passadiços.

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Bem pouco falta para o mar chegar aos jardins do hotel que ali funciona.

Em vésperas de mais uma época balnear, os funchalenses querem saber onde ir a banhos de forma barata, segura e confortável. As obras no complexo balnear do Lido dão sinal de não ter fim à vista e a Praia Formosa mais parece um estaleiro tal é o rebuliço de terras e pedras, com zonas estragadas e interditas à passagem.

Nos acessos junto à escarpa, nas costas de uma grande unidade hoteleira (Pestana Bay Ocean), a instabilidade da rocha tem feito cair pedregulhos de grande porte nos passeios e estrada. Lá estão há semanas! Entre apanhar com uma pedra, no passeio, ou ser colhido por um automóvel, na estrada,os peões são quem mais arrisca ao transitar por aquelas bandas.

Quem conserta tal desconcerto? Empresários, autarquia ou governo só teriam a ganhar se apanhassem a mesma onda.

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Mais um verão “em seco” no complexo balnear do Lido.