
Quem passa no Largo da Saúde, no Funchal, olha em toda a volta e não encontra capela. Mas a Capela da Saúde, ou o que resta dela, estará lá, escondida, nos fundos de uma garagem que outrora já foi carpintaria/serragem.
Toda a toponímia desta zona da freguesia de São Pedro tem a Saúde por sobrenome, desde o largo à rampa, por referência à capela hoje oculta. Já ninguém se recorda que o Largo da Saúde, outrora, também se chamou Largo do Marquês.
Perdeu-se a designação Largo do Marquês em honra do Marquês de Castelo Melhor, também conde da Calheta e um dos representantes do ramo principal dos descendentes de João Gonçalves Zarco, mas ganhou-se a designação que ainda hoje perdura, Largo da Saúde.
Mas a capela ninguém a vê!

A capela barroca de Nossa Senhora da Saúde foi fundada em 1659 pelo Dr. Pedro Cardoso Valdavesso e sua mulher, D. Maria Gondim.
Hoje não se sabe bem em que estado se encontra pois está dissimulada no interior de uma garagem.
Trata-se de uma construção única, do século XVII, com cripta particular, com um levantamento feito pelo falecido Dr. António Aragão, talha brasonada, raríssima, datada do século XVII, da família Gondim e Valdavesso.
A Capela estava inserida na Quinta da Vinha, que lhe era anexa e, onde mais tarde os Miles tiveram uma fábrica.
Com efeito, foi no Solar de Cintra ou Solar da Vinha que, desde 1872, se instalou, na residência da família Valdavesso, a primeira fábrica de cervejas da Madeira, a “Miles & Cª. H. P.”, por Henry Prince Miles.
Disso dá nota uma publicação de Maio de 1996, na revista Atlântico, a propósito dos 125 Anos de Cerveja na Madeira.
Mas o mais grave é que a Capela da Saúde, que deveria ser um ex-líbris daquela zona e pertencer ao roteiro do Funchal está hoje completamente esquecida.

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