O PSD-Madeira decidiu “aprovar inequivocamente o projecto de coligação elaborado pelos líderes nacionais do PSD e do CDS/PP” às eleições legislativas nacionais, mas, por aqui, alto e parem o baile, vão sós ao acto eleitoral, deduz-se, por não quererem nada com aquela gente de lá. É, por isso, ininteligível que sublinhem o “esforço monumental feito pelo actual Governo da República para consolidar as nossas contas públicas, regressar ao crescimento e recuperar a nossa independência económica, depois da crise social e financeira provocada pelo desastre da governação socialista anterior”. Nem conta deram que se existe um Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) na Madeira, tal, pelas mesmíssimas razões invocadas, fica a dever-se à “crise social e financeira provocada pelo desastre da governação” jardinista (PSD).
Bastaria isso para algum tento na língua ou nos textos que divulgam.
Independentemente dessa leitura, claramente política, o que mais me incomoda é o elogio ao governo de Passos Coelho/Paulo Portas, falando de “esforço monumental” em vários sectores, áreas e domínios da governação, quando está aos olhos de qualquer a subserviência à política dos mercados e o correspondente esmagamento da população através de uma brutal carga fiscal e diminuição dos direitos sociais. Obviamente que é um direito da estrutura local do PSD, no âmbito da sua autonomia, optar por uma ida às urnas a solo, o que não me parece correcto é que venham com a treta do elogio ao governo da República, quando todos sabemos que estamos a pagar uma dupla e severa austeridade, por culpas próprias, e depois de Passos Coelho ter prometido mundos e fundos em 2011.
Ora, o que Miguel Albuquerque, presidente da Comissão Política do PSD veio dizer aos madeirenses e portosantenses é que concorda com esse esmagamento, com a retirada dos direitos sociais, com a emigração forçada, com os índices de pobreza a que chegámos, com os sufocantes impostos aplicados, com a aplicação de taxas e de sobretaxas, com o aumento do IVA, com esse iníquo IMI, com o crescimento da dívida portuguesa que já ronda os 130% do PIB, que concorda com uma indiscriminada privatização de sectores que deveriam ter natureza pública, por aí adiante. Esse louvor só pode ter esta leitura política. E quem aprova essa política, parece-me óbvio que transporta a predisposição para fazer o mesmo. Tudo o resto serão acertos meramente marginais, aqui e ali, para parecer diferente!
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