Veleiro norueguês ‘Restauration’ volta a navegar e passa na Madeira este mês

Imagem: Sigmund Aarseth / wheelerfolk.org
Uma pintura original de Sigmund Aarseth retrata o Restauration a sair de Stavanger em 1825.

AF!

Em 04 de julho de  2025, fará 200 anos que o primeiro Restauration deixou a doca em Stavanger e rumou à América e à liberdade com 52 pessoas a bordo, a maioria das quais Quakers e outros dissidentes religiosos de Rogaland. Em 2025, esta viagem será repetida: a 4 de julho, a mesma data em que a viagem começou em 1825, o saveiro zarpou de Byfjorden, passou por Dusavika e continuará para oeste no dia seguinte, a escala na Madeira está prevista para 29 de julho e acontece com o apoio e orientação do Consulado da Noruega na Madeira e da empresa norueguesa Wilhelmsen.

O navio Restauration ocupa um lugar histórico fundamental como marco inicial da emigração norueguesa moderna para a América. Este sloop iniciou uma das mais significativas correntes migratórias da história escandinava.

Diz-se que os 52 que partiram da Noruega se tornaram 53 quando chegaram a Nova Iorque 98 dias depois, a 9 de outubro. O líder dos emigrantes e capitão do navio, Lars Larsen Geilane, e a sua mulher, Martha, tiveram o seu primeiro filho durante a travessia.

O nascimento não foi o único acontecimento dramático ao longo da viagem. Ao largo da costa de Portugal, os viajantes encontraram um barril a flutuar no mar. Continha o vinho fortificado da Madeira, cujo nome deriva da ilha de onde se aproximavam. Como não tinham água, naturalmente provaram a iguaria e embebedaram-se de tal forma que o navio se lançou à deriva até à cidade portuária do Funchal sem hastear a bandeira.

Assim, a população em terra temeu que se tratasse de um navio de piratas e ameaçou disparar os canhões. Um dos passageiros mandou içar a bandeira à última da hora e, em vez de serem bombardeados, foram recebidos com boa vontade pelo cônsul americano na ilha. Este tomou conta dos refugiados noruegueses durante vários dias antes de atravessarem o Atlântico – sob a salva dos canhões que, alguns dias antes, estavam prestes a afundar a escuna de Stavanger.

Após cerca de dois meses de travessia direta pelo Atlântico Norte, o navio aportou em Nova Iorque em 9 de outubro de 1825, inaugurando a migração em massa de noruegueses para a América do Norte

Atualmente, o Restauration tem o seu porto de origem na doca de Finnesand, em Mosterøy, junto ao Hotel Utstein Kloster, não muito longe do mosteiro histórico Ulstein Kloster, ambos destinos turísticos populares.

A sua passagem,

Contexto Histórico e Significado

Início da Emigração Moderna

A viagem do Restauration marca o início da emigração moderna em massa da Noruega para a América, que se estendeu por aproximadamente cem anos, de 1825 até cerca de 1925. Este período testemunhou o êxodo de mais de 800.000 noruegueses para as costas americanas.

 

Dimensão da Migração

A magnitude desta emigração foi extraordinária: atualmente existem aproximadamente tantas pessoas de ascendência norueguesa nos Estados Unidos quanto na própria Noruega. Entre os países europeus, apenas a Irlanda cedeu uma proporção maior da sua população à América do que a Noruega.

 

Impacto nas Relações Noruega-América

Fortalecimento dos Laços Transatlânticos

A viagem do Restauration estabeleceu os fundamentos para uma relação próxima entre a Noruega e os Estados Unidos que se consolidou ao longo do século XIX. Estas relações foram posteriormente reforçadas durante a Segunda Guerra Mundial e os anos da Guerra Fria.

 

Posição Estratégica

A localização da Noruega como vizinha da União Soviética tornou o país estrategicamente vital para os Estados Unidos como ponta de lança das forças da NATO, com o Quartel-General do Comando Norte localizado em Oslo.

 

Legado Cultural e Educacional

Fascínio pela América

O legado da emigração iniciada pelo Restauration criou um fascínio duradouro dos noruegueses pela América. Este interesse histórico contribuiu para que, quando o movimento de Estudos Americanos foi introduzido nos países nórdicos após a Segunda Guerra Mundial, se tenha encontrado terreno fértil primeiro na Noruega.

 

Desenvolvimento Académico

A influência desta emigração histórica refletiu-se no estabelecimento de programas académicos especializados. Na Universidade de Oslo, o estudioso literário Sigmund Skard foi nomeado para a primeira cátedra de literatura americana na Escandinávia em 1946.

 

Réplica e Projeto de Restauração Atual

  • Réplica Museu: Em 2011 foi concluída a construção de uma réplica fiel ao Restauration no Norwegian Emigrant Museum (Norsk Utvandrersenter), em Eidsvoll, Noruega.
  • Estado de conservação: A réplica encontra-se totalmente reconstruida com técnicas tradicionais de carpintaria naval do início do século XIX, mantendo casco em pinho, cabos de cânhamo e velas de algodão.
  • Objetivo do projeto: Preservar a memória da emigração norueguesa e servir como expositor didático sobre as condições de navegação transatlântica naquele período.

 

Importância Historiográfica

Estudos Migratórios

A viagem do Restauration tornou-se objeto de estudo académico extensivo, com os estudos de emigração dominando naturalmente as pesquisas norueguesas sobre os Estados Unidos nos primeiros anos. Esta tradição de pesquisa estabeleceu a Noruega como pioneira nos estudos migratórios internacionais.

 

Memória Coletiva

O Restauration representa mais do que um simples meio de transporte: simboliza a coragem e determinação dos primeiros emigrantes noruegueses que buscaram novas oportunidades na América. A embarcação tornou-se um símbolo nacional da aventura migratória norueguesa e da construção de pontes transatlânticas.

 

Balanço Final

O navio Restauration representa um marco histórico fundamental na história da emigração norueguesa e das relações Noruega-América. A sua viagem em 1825, transportando 52 emigrantes Quakers liderados por Cleng Peerson, iniciou um período de cem anos de emigração massiva que moldou profundamente tanto a sociedade norueguesa quanto a americana. O legado desta pequena embarcação estende-se muito além do seu significado como meio de transporte, representando o início de uma das mais significativas correntes migratórias da história moderna e estabelecendo as bases para uma relação duradoura entre dois países separados pelo Atlântico.

 

Factos sobre o Restauration:

– O Restauration foi originalmente construído em Hardanger em 1801 e foi reconstruido em Egersund por volta de 1820. Inicialmente, o barco chamava-se Emanuel, mas depois de ter sido reconstruido, passou a chamar-se Restauration.

 

– Em 1825, o barco de 53 pés partiu de Stavanger para a América do Norte. Esta viagem é frequentemente referida como o início da emigração norueguesa para os Estados Unidos.

 

– O navio atual é uma réplica, que foi construída em Finnøy em 2010. Em 2020, Cato Østerhus comprou o barco. É proprietário de metade do grupo de construção de habitações Øster Hus, sendo o resto propriedade do seu irmão mais novo, Njål.

 

Veleiro norueguês ‘Restauration’ faz escala na Madeira em Julho

 

WebGrafia – -Títulos e nomes dos sites foram adaptados para o padrão APA (7ª edição).

 


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