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Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas. A Pensilvânia confirmou 1.286 casos em 42 condados até 19 de outubro, com 247 hospitalizações e cinco mortes associadas à doença, enquanto o Estado de Nova Iorque decretou, a 5 de outubro, um estado de emergência sanitária para conter a propagação do vírus.
Um surto sem precedentes recentes
O surto na Pensilvânia começou em abril, a oeste de Filadélfia, e tornou-se o maior surto estadual de sarampo nos Estados Unidos em mais de 30 anos. A 5 de outubro, o Estado já contabilizava 1.004 casos, 198 internamentos e cinco mortes; duas semanas depois, o total subiu para 1.286 casos confirmados.
As autoridades de saúde da Pensilvânia indicam que apenas quatro dos casos ocorreram em pessoas vacinadas — menos de 1% do total — e que estão a trabalhar com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) para travar a transmissão.
Nova Iorque em estado de emergência
A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, declarou uma emergência de catástrofe em todo o Estado, válida até 4 de novembro, depois de o Estado registar 108 casos até 3 de outubro. Destes, 92 ocorreram desde meados de julho em comunidades rurais com cobertura vacinal insuficiente, espalhadas por 18 condados.
A medida amplia o número de profissionais autorizados a administrar a vacina MMR — sarampo, papeira e rubéola —, passando a incluir paramédicos, técnicos de emergência médica avançada, farmacêuticos e parteiras. Os enfermeiros também podem agora ordenar testes de despiste, e os farmacêuticos podem vacinar crianças a partir dos dois anos.
“Ninguém deveria adoecer gravemente ou morrer de uma doença evitável por vacina”, declarou Hochul, ao justificar a decisão.
Números nacionais em alta
A escala do problema ultrapassa os dois Estados. O CDC registou 4.410 casos confirmados de sarampo em todo o país até 15 de outubro, já acima dos 2.289 casos contabilizados em todo o ano de 2025 e no nível anual mais elevado desde 1991.
Cerca de 96% dos casos nacionais estão associados a pessoas não vacinadas ou com estado vacinal desconhecido, e 96% estão ligados a surtos. Até meados de outubro, tinham sido registados 451 internamentos no país.
Porque é que o sarampo preocupa
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas que se conhecem e pode provocar pneumonia, encefalite, sequelas permanentes e morte, sobretudo em crianças pequenas, grávidas e pessoas com sistema imunitário enfraquecido. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a doença e de reduzir a sua transmissão na comunidade.
A OMS sublinha que, quando as taxas de imunização caem abaixo dos níveis necessários para a proteção coletiva, doenças anteriormente controladas podem regressar rapidamente. No caso do sarampo, a cobertura vacinal precisa de se manter muito elevada para evitar surtos.
O que está em causa
O regresso do sarampo não resulta de uma mutação súbita do vírus, mas da combinação entre quedas na cobertura vacinal, comunidades com baixa imunização e circulação internacional do patogéneo. Nova Iorque e a Pensilvânia tornaram-se, assim, o exemplo mais visível de um alerta mais amplo: uma doença que os Estados Unidos tinham considerado eliminada desde 2000 voltou a encontrar espaço para se espalhar.
Para as autoridades, a resposta passa por acelerar a vacinação, identificar contactos e testar casos suspeitos. Para as famílias, a mensagem dos serviços de saúde é direta: verificar o estado vacinal e procurar a vacina MMR, sobretudo quem vive ou viaja para zonas afetadas.
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