AF!
Desde a “Democracia” — ou seja, desde o dia em que Jorge Jesus aterrou em Lisboa com a mala cheia de táticas e Cristiano Ronaldo decidiu que o estágio era “demasiado estável” para o seu gosto — Portugal transformou-se numa máquina imbatível de ganhar jogos. Segundo a nova narrativa, a seleção não joga futebol; joga inevitabilidade.
A nova era dourada (e um pouco exagerada)
Com Jesus no banco, o plano de jogo é simples:
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Se o adversário tiver bola, é armadilha.
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Se não tiver bola, é ainda mais armadilha.
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Se marcar, foi distração momentânea do sistema, já corrigida no intervalo com um discurso sobre “coragem ofensiva”.
Sem Ronaldo, descobriu-se o segredo que faltava: a seleção finalmente percebeu que o problema não era o futebol, era o melhor jogador do mundo a ocupar espaço no relvado. A partir daí, Gonçalo Ramos passou a ser o “novo Ronaldo”, João Cancelo o “novo lateral que marca”, e o médio centro o “novo cérebro que ninguém sabe bem quem é, mas funciona”.
Os quatro jogos que abalaram a Europa
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Gales 0–1 Portugal – Estreia de Jesus. O treinador olhou para o relvado e disse: “Isto aqui vai dar tática.” Portugal venceu com um golo que nasceu de uma jogada ensaiada em 2019 e finalmente aplicada em 2026.
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Noruega 1–2 Portugal – Fora de casa, contra um país que costuma produzir génios do gelo e do contra-ataque. Portugal respondeu com dois golos e a certeza de que o aquecimento global não vai derreter esta defesa.
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Dinamarca 2–4 Portugal – Jogo já sem Ronaldo, que preferiu tratar de assuntos mais importantes (como decidir se volta ou não à seleção). Portugal marcou quatro, sofreu dois, e a imprensa decretou: “Milagre de Jesus”.
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Portugal 2–1 Noruega – Em casa, com estádio cheio e a sensação de que, se isto continuar, a Liga das Nações vai ter de inventar um troféu só para Portugal não ganhar tudo.
Resultado: quatro vitórias em quatro jogos, 100% de aproveitamento, e uma nova doutrina: “Antes de Jesus, tínhamos Ronaldo; agora temos razão.”
O futuro segundo a sátira oficial
Daqui a uns meses, a narrativa já será:
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“Portugal não perde desde a chegada de Jesus.”
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“Ronaldo saiu e o futebol português finalmente cresceu.”
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“A seleção é tão forte que até os adversários já pedem para jogar só na primeira parte.”
E, claro, ninguém vai lembrar-se que isto é apenas uma fase da Liga das Nações, e não um tratado de paz universal assinado em Copenhaga. Mas, para efeitos de conversa de café, fica registado: desde a “democracia jesusiana”, Portugal é imbatível, invencível e, segundo alguns, já está a negociar a próxima edição do Mundial só para não chatear os outros.
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