Festa da Maçã: mais de 22 milhões de euros em apoios para a agricultura em 2026

Nuno Maciel garante reforço do apoio direto aos agricultores e aposta na recuperação da fruticultura de altitude
O Governo Regional já tem publicados, em 2026, avisos que representam mais de 22 milhões de euros de despesa pública diretamente dirigida ao setor primário, anunciou ontem o secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, durante a sessão solene de abertura da 39.ª Festa da Maçã, na Camacha.
Perante agricultores, entidades locais e representantes do setor, o governante assumiu como prioridade do Executivo Regional garantir que os recursos destinados à agricultura chegam de forma cada vez mais direta aos produtores e contribuem para aumentar a rentabilidade das explorações.
“É importante que as verbas que são para a agricultura cheguem aos agricultores, cheguem ao fomento da atividade agrícola, cheguem àqueles que trabalham a terra”, afirmou Nuno Maciel.
Nesse sentido, salientou a alteração do regulamento de apoio aos eventos agrícolas, que passou a determinar que 20% das despesas realizadas tenham de chegar diretamente aos agricultores, numa lógica de maior retorno económico para quem produz.
A mesma orientação, acrescentou, está a ser aplicada à execução dos fundos do PEPAC, com o objetivo de tornar os apoios “o mais diretos e objetivos possível” e orientá-los para o aumento da produção e para a modernização das explorações.
“Nunca vai ser suficiente, mas aquilo que nós temos, as verbas que temos como despesa pública, queremos canalizar para dar apoio aos agricultores”, afirmou.
Recuperar a fruticultura de altitude
Na Camacha, Nuno Maciel destacou igualmente a recuperação da produção de maçã, pêro e pera, depois das dificuldades provocadas nos últimos anos pelas condições meteorológicas adversas, incêndios, temperaturas elevadas e pragas.
O secretário regional adiantou que as perspetivas para a atual campanha apontam para uma recuperação da produção, sublinhando o trabalho desenvolvido pelos serviços técnicos da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural e os apoios destinados à recuperação dos pomares.
“Estamos resilientes, estamos focados, estamos a recuperar pomares, estamos a criar incentivos e estamos a dar apoio técnico”, afirmou.
Nuno Maciel reconheceu, contudo, que a recuperação desta atividade exige tempo e persistência, lembrando que a plantação de árvores de fruto não produz resultados imediatos.
“Plantar árvores não é igual a plantar hortícolas. Uma árvore não começa a produzir no segundo nem no terceiro ano. Leva o seu tempo e requer determinação”, afirmou.
Cidra como instrumento de valorização da produção
A estratégia do Governo Regional passa também pela valorização e transformação da produção agrícola, nomeadamente através da cidra, numa ligação direta entre produção e agroindústria.
Nuno Maciel revelou que estão atualmente registados 58 produtores na Associação de Produtores de Sidra, oriundos de diferentes localidades da Região, e destacou o novo apoio criado através do POSEI para incentivar a transformação de maçãs, pêros e peras em sidra.
O incentivo prevê um apoio de um euro por litro, até uma dotação máxima de 100 mil euros, com o objetivo de reforçar a transformação agroalimentar e, simultaneamente, criar maior procura para a produção regional.
Para o governante, esta aposta permite criar um ciclo de valorização que começa no pomar e termina na transformação e comercialização de produtos com maior valor acrescentado.
A intervenção na Festa da Maçã serviu ainda para Nuno Maciel reafirmar que a agricultura continuará a ser uma prioridade da política do Executivo Regional.
“Este é o nosso foco e esta é a nossa missão”, afirmou, garantindo que o Governo Regional continuará a trabalhar com as instituições e com os agentes do setor para desenvolver a agricultura madeirense.
Na sessão solene, o secretário regional felicitou ainda a Junta de Freguesia da Camacha e o Grupo de Folclore do Rochão pela organização da 39.ª edição da Festa da Maçã, recordando a dimensão social que esteve na origem da iniciativa, criada na década de 1970 para apoiar famílias que regressavam à Madeira.
Ao assinalar a continuidade de quase quatro décadas da iniciativa, Nuno Maciel valorizou também o contributo das sucessivas organizações que permitiram manter viva a Festa da Maçã e a ligação da comunidade camacheira à produção agrícola.
“O melhor para a agricultura, custe o que custar, será sempre o melhor para o Governo Regional”, concluiu.

 


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