O Juntos pelo Povo veio queixar-se de que o PSD voltou a chumbar, na Assembleia Legislativa da Madeira, o pedido de audição parlamentar apresentado pelo JPP sobre a Praia do Vigário, a Baía de Câmara de Lobos e a bacia da Ribeira do Vigário.
Num comunicado emitido esta quinta-feira, o partido recorda que esta é a segunda vez que o PSD impede que esta matéria seja esclarecida no Parlamento.
Em 2025, refere o maior partido da oposição, a Praia do Vigário já tinha registado uma interdição temporária da prática balnear. Em Março deste ano, o JPP apresentou um primeiro pedido de audição para ouvir as entidades responsáveis e perceber o que estava a afectar a qualidade da água, o funcionamento da ETAR de Câmara de Lobos, a Ribeira do Vigário e o sistema de saneamento. O PSD chumbou.
Depois desse chumbo, voltou a acontecer o que o JPP queria ajudar a prevenir: Já em Maio de 2026, a Praia do Vigário voltou a ser temporariamente interdita à prática balnear, na sequência da detecção de contaminação microbiológica nas águas balneares.
Este episódio junta-se à interdição temporária já registada em Junho de 2025 e à manutenção da classificação “Aceitável” da água balnear daquela praia, o último patamar antes da classificação “Má”, que pode conduzir a medidas restritivas, incluindo a interdição da prática balnear.
Perante estes factos, o JPP apresentou novo pedido de audição parlamentar. O objectivo era claro: exigir respostas, perceber as causas e participar na construção de soluções que melhorem a qualidade da água, protejam a saúde pública, valorizem a Baía de Câmara de Lobos e defendam todos os que utilizam aquela frente-mar.
A Praia do Vigário tem vindo a apresentar uma evolução preocupante, garante o deputado do JPP na Assembleia Legislativa da Madeira e vereador sem pelouro em Câmara de Lobos, Miguel Ganança. Depois de vários anos com classificação “Boa”, passou a “Má”, em 2023, e mantém-se apenas como “Aceitável” nas classificações mais recentes e na informação pública da época balnear de 2026. “Aceitável” não é excelência. “Câmara de Lobos não se pode contentar com o mínimo quando estão em causa a saúde pública, o ambiente e a confiança na frente-mar do concelho”, realça.
O que o JPP queria era simples: ouvir a Câmara Municipal de Câmara de Lobos, a ARM, a Direção Regional do Ambiente e Mar e a Autoridade de Saúde Regional. Queria saber o que aconteceu em 2025, o que voltou a acontecer em maio de 2026, que falhas podem existir, que monitorização está a ser feita e que soluções estão previstas para evitar novos episódios.
O PSD voltou a dizer que não.
Para Miguel Ganança, “quem chumba duas vezes uma audição sobre uma praia que já teve interdições, sobre uma baía usada por famílias, residentes, visitantes, praticantes de atividades náuticas e agentes económicos, não está a proteger Câmara de Lobos. Está a impedir respostas”.
“O JPP não pediu condenações antecipadas. Pediu esclarecimentos. Pediu transparência. Pediu soluções. Se está tudo bem, por que razão o PSD impede que sejam ouvidas as entidades responsáveis?”, questiona Miguel Ganança.
Para o JPP, a Praia do Vigário e a Baía de Câmara de Lobos não podem continuar a ser tratadas com silêncio político. A população tem direito a saber o que se passa, que medidas estão em curso e que investimentos estão previstos para melhorar a qualidade da água, reforçar o saneamento, avaliar a ETAR e proteger a frente-mar do concelho.
“O PSD pode chumbar as audições que quiser, mas não apaga os factos: houve interdição em 2025, houve nova interdição em 2026 e há uma classificação apenas ‘Aceitável’. Câmara de Lobos merece mais do que silêncio. Merece respostas, prevenção e soluções”, conclui Miguel Ganança.
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