Estepilha: medalhas são impostas e não entregues como uma caixa de “Ferrero Rocher”… diz o protocolo

Rui Marote
O Estepilha é muito respeitador de protocolos. Assistimos à cerimónia solene da entrega das insígnias honoríficas da RAM na TV e blasfemámos e pedimos perdão logo de seguida. Mais uma vez assistimos a imperdoáveis quebras de protocolo. Tanta falta faz o antigo livro “cor de rosa” que se comprava na Casa Figueira. O Estepilha hoje recomenda hoje o livro mais conhecido do diplomata José Bouza Serrano.
Numa cerimónia solene do Dia da Região, o protocolo dita que as condecorações devem ser impostas aos homenageados. O que não aconteceu.
Segundo as regras do Protocolo das Ordens Honoríficas Portuguesas as insígnias devem ser colocadas directamente sobre o peito, suspensas ao pescoço ou a tiracolo, consoante o grau da distinção.
A entrega das medalhas simplesmente na caixa (sem a sua imposição física) só deve acontecer em duas situações específicas: A título póstumo, quando o homenageado faleceu, ou em casos de representação, ou seja, quando o condecorado não pode estar presente e se faz representar por alguém .
Nos restantes casos, a ausência de imposição retira o simbolismo, a solenidade e o reconhecimento público que a condecoração exige.
O Estepilha daqui manifesta o seu aplauso à presidente da Assembleia Regional, Rubina Leal, que impôs as condecorações retirando-as das caixas e colocando ao peito ou ao pescoço dos condecorados. O Representante da República juiz desembargador Paulo Barreto e o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, alinharam pelo mesmo diapasão: entregaram a caixa com a condecoração nas mãos do condecorado como se fosse uma caixa de chocolates Ferrero Rocher.
Estepilha! Não somos uma “república da bananas”.
Encerramos com uma historieta alusiva. Estávamos em Setembro de 1973, era Ministro do Ultramar Baltazar Rebelo de Sousa ex-governador geral de Moçambique. Em funções de Ministro do Ultramar, visitava a “Província de Moçambique “. Na região de Nacala condecorou diversos régulos.
Ora, integrávamos a comitiva ao norte de Moçambique ao serviço da Telecine, representante da RTP. A comitiva ministerial viajou num táxi aéreo e a imprensa noutro.
O insólito aconteceu quando o avião de Baltazar aterrou na base militar de Nacala  e após a aterragem a pista foi encerrada ao tráfego aéreo, uma vez que a cerimónia iria desenrolar-se na própria pista.
O avião da imprensa permaneceu ao largo. A cerimónia das condecorações realizou-se e só após o encerramento aterrámos. Ao aterrarmos barafustámos pelo impedimento da cobertura jornalística. Solução imediata: O ministro Baltazar repetiu a cerimónia. Os régulos tiveram de devolver a condecoração, o que fez com que alguns, baralhados, se zangassem e não a quisessem devolver.
Aqui no protocolo o mais importante era mesmo a divulgação da cerimónia, aquilo que chamamos na gíria fotojornalística, “o que interessa é o “boneco” .
Passados mais de meio século tudo continua na mesma. O que verdadeiramente interessa é o boneco. E com uma cerimónia televisionada as coisas têm de ser bem feitas, Estepilha!

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