O aeroporto de Istambul, com uma movimentação enorme, é espelho de que as operações turísticas na Turquia estão a funcionar normalmente. A Turquia faz fronteira com a Síria e com o Irão, havendo países que não recomendam, no entanto, férias naquela zona devido à guerra que se alastrou no Golfo Pérsico. Os únicos voos suspensos num dos maiores aeroportos do mundo são para Bahrein, Damman e Riad, na Arábia Saudita, Irão, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar, Síria, Emirados Árabes.
A Turquia prepara-se em força para o turismo em 2026 com governo e o sector a garantirem a normalidade operacional no destino Istambul e Riviera Turca, visando
receitas recorde de 68 mil milhões de dólares.
Com os atuais conflitos internacionais há certas zonas do globo que beneficiam na área turística embora este seja um tema sensível. A Madeira beneficia, através do efeito “porto seguro”, em que muitos turistas desviam as suas viagens de zonas instáveis para destinos entendidos como pacíficos e seguros.
Quem tinha planos para regiões agora em conflito, como Israel ou o Leste Europeu, com a guerra na Ucrânia, frequentemente escolhem a Madeira como alternativa segura. O Porto do Funchal pode beneficiar com desvios de navios de cruzeiros que navegam no Mar Vermelho ou no Médio Oriente para portos mais seguros beneficiando directamente o porto do Funchal.
O governo regional da Madeira em 2022 já antecipava que o conflito na Ucrânia contribuiria para um dos melhores anos turísticos da história da Madeira, devido ao reposicionamento da Iha no mercado europeu. Seguindo as estatísticas, a Madeira atingiu recordes com 2,2 milhões de hóspedes (um crescimento de 6,7% face a 2023) e receitas totais que ultrapassaram os 529 milhões de euros em anos anteriores.
Embora o volume de turistas aumente, a guerra também traz desafios económicos
que podem mitigar os benefícios: O aumento do preco dos combustíveis e da energia torna as passagens aéreas e os servicos turísticos mais caros, o que pode reduzir o poder de compra dos visitantes a longo prazo.
O crescimento acelerado do turismo impulsionado por quem procura seguranca e estadias de longa duração tem contribuído para a subida dos precos no mercado imobiliário, dificultando o acesso à habitação para os residentes locais.
A imagem da ilha saiu reforçada em 2026 quando a Madeira foi nomeada o destino numero um em tendências mundiais pelos TripAdvisor Travellers Choice Awards.
Mas nem tudo são rosas. Achar que o sucesso actual é garantido é esquecer que o turismo é uma industria extremamente volátil. “Dormir a sombra da bananeira” num momento de recordes pode custar caro no futuro. A segurança é temporária, o turista que vem para a Madeira porque o Médio Oriente está instável é um “turista de ocasião”.
Se a Paz regressar a esses destinos (que costumam ser mais baratos) a Madeira perde competitividade se não tiver investido em qualidade e diferenciação. Quando há excesso de procura, a tentação é facilitar. O serviço pode piorar, os preços sobem sem critério e os pontos turísticos ficam superlotados. Isso destrói a reputação da ilha a longo prazo.
Focar tudo no turismo porque “está a dar dinheiro agora” deixa a região vulnerável. Se amanhã houver uma crise na aviação ou uma nova pandemia, a economia local colapsa por falta de diversificação.
A Madeira enfrenta agora o desafio de usar esse “lucro de guerra” para investir em infraestruturas e sustentabilidade, em vez de apenas contar com a sorte geográfica e geopolítica.
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