Se o Porto foi a prova de maturidade, Lisboa foi a consagração definitiva. Na passada sexta-feira, 30 de janeiro, os NAPA escreveram o capítulo mais bonito da sua história até à data, perante um Coliseu dos Recreios esgotado que os recebeu em apoteose.
O quinteto madeirense — Guilherme Gomes, Francisco Sousa, João Rodrigues, Diogo Góis e Lourenço Gomes — subiu ao palco da mítica sala lisboeta não apenas para apresentar canções, mas para celebrar uma comunhão rara com o seu público. A energia que se sentia na sala, ainda antes do primeiro acorde, confirmava o que a crítica e os números já anteviam: os NAPA são, hoje, um dos maiores fenómenos da música portuguesa.
A noite arrancou com “Jeito Pra Tudo”, definindo desde logo o tom de celebração que pautaria as duas horas seguintes. Com um alinhamento cuidado, que viajou entre os clássicos do álbum de estreia “Senso Comum” e a sofisticação de “Logo Se Vê”, a banda apresentou-se em formato big band, acompanhada por um coro e uma secção de sopros que elevou temas como “Ficamos Assim” e “Coisas Simples” a uma nova dimensão.
Mas foram as surpresas que tornaram a noite irrepetível. A doçura de Silly juntou-se à banda para uma interpretação arrepiante de “Assim, Sem Fim”, um momento de intimidade que contrastou com a explosão de energia trazida por Van Zee. O artista, que já havia surpreendido no Porto, voltou a juntar-se aos NAPA para “Infinito”, levando o Coliseu ao rubro. Destaque ainda para a participação especial de André Santos no tema “Areia”, num momento intimista e muito bonito.
O ponto alto da noite chegou, inevitavelmente, com “Deslocado”. Transformado num verdadeiro hino geracional, o tema foi cantado a plenos pulmões por milhares de pessoas, abafando por vezes o som que vinha do palco. Foi a prova viva de que a música dos NAPA ultrapassou barreiras geográficas e emocionais.
Fiéis às suas raízes, o encerramento fez-se com “Vasse Lá Lem”, um tema inédito e uma homenagem à Madeira que serviu de lembrete: podem ter conquistado os maiores palcos do continente, mas a alma da banda continua a residir no coração do Atlântico.
Os NAPA consolidam-se como uma força incontornável da nova música nacional. O futuro, tal como o título do seu segundo álbum sugere, “logo se vê”, mas depois desta sexta-feira, a certeza é de que será brilhante.
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