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Dallas, Dealey Plaza, 22 de Novembro de 1963, 12,30 h: o Presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy é assassinado, quando percorria a cidade em carro aberto, aplaudido por uma multidão.

A reeleição, a acontecer em 1964, estava mais que assegurada, dado o seu prestígio internacional e aceitação popular. O Estado do Texas era, porém, terreno difícil, onde tinha inimigos declarados, que se opunham à linha política que vinha desenvolvendo, nomeadamente na luta contra a segregação racial, combate ao crime organizado (dirigido pelo Procurador-Geral, o seu irmão e braço direito Robert Kennedy) e a atitude que consideravam frouxa face ao comunismo. Estimavam o vice-presidente Lyndon Johnson, texano como eles, mas circulavam rumores que em 1964 Kennedy iria substituí-lo. Harvey Oswald, acusado como assassino único do presidente, é morto por Jack Ruby dois dias depois, quando era transferido do posto policial para o Tribunal.
O tempo histórico da presidência de Kennedy (eleito a 8 de Novembro de 1960, toma posse a 20 de Janeiro de 1961) decorre em plena Guerra Fria, empenhando-se as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, em rivalizar na aquisição de armamento, o chamado equilíbrio do terror, e atrair para a sua influência o maior número possível de nações, de modo especial as ex-colónias europeias, que estavam a tornar-se independentes. O anterior presidente Dwight Eisenhower, no discurso de despedida, alertara já para o peso demasiado do “complexo militar-industrial”. Deu luz verde ao projecto da CIA, preparado pela anterior presidência, de derrubar o regime político cubano, mas recusou a participação directa dos Estados Unidos na invasão da Ilha, a 17 de Abril de 1961. Na Crise dos Mísseis, em Outubro de 1962, em que o Mundo esteve à beira duma guerra nuclear, optou pela negociação persistente com a União Soviética, contra o parecer dos seus conselheiros militares que o empurravam para o conflito militar e louvou publicamente o líder soviético Nikita Kruschev pelo serviço que acabara de prestar à paz mundial; Fidel Castro, por sua vez, acusou furiosamente Kruschev de alta traição para com Cuba. A 7 de Outubro de 1963, Kennedy assinava o Tratado de proibição de testes de armamento nuclear. No que respeita ao envolvimento americano no Vietname, tentou travar o envio de “conselheiros” e era sua intenção acabar com esse envolvimento no segundo mandato. O presidente seguinte, Johnson, não só não o cumpriu como aumentou drasticamente a participação militar americana. No dia do seu assassinato, estava em Cuba secretamente um seu conselheiro a tratar do reatamento de relações diplomáticas entre os dois países.
Kennedy era um idealista com os pés assentes na Terra. Logo no início do seu mandato, em 1961, criou a Aliança para o Progresso, para ajuda económica aos países mais pobres da América Latina, e o Peace Corps, constituído por jovens licenciados motivados para trabalharem em países do Terceiro Mundo, no início das suas carreiras. Infelizmente a CIA acabou por manipular as duas organizações, desvirtuando os seus objectivos.
Kennedy e Kruschev, que se conheceram pessoalmente em Viena, a 3 de Junho de 1961, estavam a inaugurar um período de abrandamento da Guerra Fria e quem sabe, talvez um caminho para uma paz mais duradora, ao mesmo tempo que o líder da Igreja Católica, o Papa João XXIII, com o aggiornamento suscitado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II, que a Cúria lutou para evitar, implementava a reconciliação da Igreja com o Mundo, valorização do papel dos leigos e envolvimento cristão na justiça social. O Papa morre a 3 de Junho de 1963, meses depois Kennedy é assassinado e em Outubro de 1964 um golpe palaciano retira Kruschev do poder. Neste mesmo ano, em Abril, é assassinado Martin Luther King, o líder da luta contra a segregação racial e a 5 de Junho de 1968 é assassinado Robert Kennedy que estava comprometido em dar continuidade à política do irmão John, no decurso da campanha eleitoral para a presidência, que lhe estava a ser favorável.

Adivinhar não é próprio da História e os ses não fazem parte dela. Mas é mais importante recordar os construtores da paz do que os malfeitores do género humano, até para construirmos uma cidadania mais comprometida com o bem da Humanidade.
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