Rui Marote
Os partidos acham-se donos dos espaços onde colocam os cartazes de campanha eleitoral. Em locais estratégicos, em especial rotundas e entradas e saídas das vias rápidas as estruturas metálicas que conspurcam a paisagem estão agora embrulhadas em serapilheiras escondendo os vencedores e os derrotados e parecendo aguardar até um novo acto eleitoral.
Esta circunstância até faz recordar o velho campo do Almirante Reis que nos Verões era palco de jogos de futebol das camadas jovens. Relembramos o Vasco da Gama do mestre Mário o sapateiro, o Alma Lusa do srº Crispim das Finanças, o Belenenses do Clippers, o Porto Mar Popular do srº Alfredo, do Braga do srº Camacho do Balão Vermelho e outras equipas. Nos dias em que utilizavam o Campo do Almirante Reis, na altura da marcação das quiatro linhas com pó de cal branca, eram colocadas duas enormes pedras de calhau nas laterais e uma tábua que iria servir de bancada de primeira fila à assistência, pelo preço de cinco tostões.
Um vendedor ambulante com um cesto de vimes vendia pepinos e logo atrás estava um tremoceiro. Aquele espaço improvisado e reservado, logo que os jogos finalizavam era desmontado. Alguém se apropriava do espaço por algumas horas, como se o campo fosse propriedade privada, para cobrar alguns escudos. Mas depois pelo menos desmontavam o banco.
Hoje os municípios parecem afinar pelo mesmo diapasão, com a diferença que não é preciso desmontar nada. As feias estruturas permanecem durante largo tempo. Porquê? A equipa vencedora continua envolvida em serapilheira e ninguém remove…
Parece que ninguém tem coragem para aplicar a lei que existe em Portugal, e que é a da desmontagem da propaganda eleitoral no período de reflexão.
Agora que todas as Câmaras já tomaram posse bastava que os executivos eleitos dessem um prazo aos partidos políticos para retirar todas essas estruturas de ferro que são um atentado à paisagem, como acontece logo à entrada e à saída do Porto do Funchal – neste caso propriedade da APRAM.
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