O Madeira Innovation Talks 2025 encerrou com o investigador da Universidade de Coimbra Paulo Menezes, que conduziu a plateia por um percurso pessoal e científico onde a realidade aumentada, os robôs sociais e os robôs colaborativos se cruzam com emoções humanas, qualidade de vida e sustentabilidade.
“Sou engenheiro, cresci a pensar em circuitos e arquitectura digital”, começou por dizer. “O que me surpreendeu foi perceber que as pessoas reagem emocionalmente à tecnologia – às vezes, mais depressa do que conseguem racionalizar.” Foi assim que Menezes relatou um episódio fundador: uma demonstração de realidade aumentada que levou um participante a dar “dois passos atrás” perante um penhasco virtual. “Ele disse: ‘eu sei que é virtual… mas o corpo não deixou’.”, refere uma nota.
A partir daí, Menezes aproximou-se da psicologia e da computação afetiva, medindo ritmo cardíaco, respiração e resposta galvânica para compreender como o virtual influencia o real. “Quando a tecnologia muda o corpo, muda o comportamento – e isso pode ser terapêutico.”
Essa ponte entre emoção e técnica deu origem a aplicações de realidade virtual/aumentada para terapias de exposição (medos específicos como aranhas), para gestão da dor (nos queimados, induzindo sensação de frio) e para preparação cirúrgica com ambientes de mindfulness. “A regra é simples: nada de sobre-exposição – a tecnologia dá o estímulo, o terapeuta conduz.”
No domínio dos robôs sociais – robots concebidos para interagir educadamente com pessoas no quotidiano – o grupo do investigador Paulo Menezes ensina as máquinas a ouvir de onde vem a voz, fazer contacto ocular, ler expressões e adaptar o tom ao estado emocional do interlocutor.
“Se a pessoa está tensa, o robô deve abrandar, repetir, pedir confirmação. Se está tranquila, pode avançar.” Um detalhe aprendido em testes com idosos: “Elogios automáticos não chegam – o robô tem de saber se o exercício foi realmente bem feito.”
Já na indústria, os robôs colaborativos (cobots) trabalham lado a lado com humanos, mas as normas de segurança tornam-nos frequentemente lentos. A equipa trouxe uma ideia inspirada no comportamento humano na rua: modular a velocidade pela atenção do operador. “Se o robô deteta olhar e atenção, mantém velocidade; se a pessoa está distraída, o robô entra em ‘modo defensivo’.” Resultado: mais segurança sem sacrificar produtividade. “Não queremos saber para onde a pessoa olha – só se nos está a ver. Esse ‘olhar reconhecido’ muda o comportamento do robô.”
O fio condutor é a qualidade de vida e a sustentabilidade: reabilitação pós-AVC com jogos, pausas activas em contexto laboral, bicicletas estáticas que ‘pedalam pela cidade’ em realidade virtual para combater o sedentarismo, e plataformas online de treino emocional para escolas. “Tecnologia só faz sentido se aumentar o bem-estar e for escalável, segura e ética.”
Paulo Menezes rematou com um apelo aos estudantes que encheram a sala:
“A curiosidade é o motor: muitas das melhores ideias começaram por acaso. Olhem a tecnologia nos olhos, mas não se esqueçam de olhar primeiro para as pessoas.”
Organizada pela Região Madeira da Ordem dos Engenheiros, com o apoio institucional da Ordem dos Engenheiros a nível nacional, a MadIT 2025 pretende reforçar a intervenção da engenharia na sociedade e contribuir para a construção de uma “Comunidade do Conhecimento e da Inovação”.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.







