Rui Marote
Hoje estivemos no Garajau para verificarmos no próprio local o estado do monumento de Cristo Rei, o mais antigo do mundo no seu género. Os madeirenses tem vaidade em manifestar-se: “Somos os primeiros e os melhores nisto e naquilo”.
Por exemplo, afirmam que o maior túnel de Portugal está na Madeira, que
antigamente tínhamos cá a maior sala de cinema, a melhor central dessalinizadora, que a ponte de João Gomes é a que tem o maior “vão” em Portugal, que o melhor jogador do Mundo é CR7 , que foi da Madeira que saiu a cana-de-açúcar para o Brasil e para o Hawai, que foi a braguinha que deu origem ao ukulele, etc. etc.
Mas esquecem que o monumento de Cristo Rei no Garajau é o mais antigo do Mundo, inaugurado em 16 de abril 1927 no ano que nasceu o Papa Bento XVI. Tem 14 metros de altura, incluindo pedestal e a estátua. Já o Cristo Redentor no Rio de Janeiro com 38 metros é datado de 1931 e o de Almada com 28 metros foi inaugurado em 1959.
Quem o erigiu em 1927, às suas custas e num terreno do seu Morgadio do Caniço, sito na Ponta do Garajau foi o Conselheiro Aires de Ornelas no cumprimento de uma promessa. Nasceu na Camacha a 5 de Março de 1866. Faleceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1930 e o seu corpo foi transladado para o cemitério da Misericórdia ou Nossa Senhora das Angústias em 1934, que ficava na zona da actual Quinta Vigia. Voltou a ser trasladado entre 1939 e 1944 para São Martinho.
Mas a nossa visita ao Cristo Rei deu para efetuar um levantamento fotográfico do estado actual do monumento. Encontra-se “encarcerado” por um tapume há mais de um ano, como se se tratasse de um leproso. Os atacados por esta doença terrível, no passado, eram obrigados a viver separados da sociedade.
O Cristo Rei está “encarcerado” para evitar que os visitantes sejam atingidos pelos materiais que se desagregam da escultura da autoria do escultor francês Georges Serraz.
As mãos e a cabeça estão a decompor-se. As lápides à volta do pedestal estão oxidadas. Assim esta estátua é apresentada às centenas de turistas que visitam este local: um monumento enclausurado, sem qualquer explicação.
O Garajau é um lugar aprazível ,tem um teleférico, uma praia, um café snack-bar, instalações sanitárias, parque de estacionamento os arredores estão asseados. Mas o ex-libris, a etiqueta, é o o Cristo Rei que está “doente” como um “impuro” que vai caindo aos bocados, como se tratasse de lepra, hoje tratável, mas neste caso, sem solução à vista.
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