Campanários das igrejas madeirenses com os relógios parados no tempo

Porto da Cruz
Rui Marote
As igrejas possuem muitas vezes relógios por algumas razões práticas e simbólicas.  Historicamente, os relógios ajudavam a marcar o tempo para cerimónias religiosas, como missas e outros rituais, e também ajudavam os cidadãos a controlarem o seu dia-a-dia. Além de lembrar a importância da pontualidade para os fiéis, o relógio das igrejas, frequentemente situadas no centro das comunidades, era (e é) útil para o dia a dia. Embora hoje em dia toda a gente possua relógio ou no pulso, ou no telemóvel, houve tempos em que os relógios dos campanários das igrejas foram de grande importância para o quotidiano, e ainda hoje deveriam ser preservados por esse motivo histórico. Para além de que muita gente ainda levanta os olhos para ver as horas – por exemplo as da Sé do Funchal.
Ora, cada vez menos é isso que se passa na Madeira em geral. A falta de relojoeiros habilitados e o desinteresse neste património faz com que o mesmo se vá degradando e deixe de funcionar.
Fajã da Ovelha
Num domingo à tarde resolvemos efectuar uma visita à Igreja de São Martinho, que tem o maior adro da Madeira. Com a igreja encerrada, percorremos todo o adro, felizmente em óptimas condições. E chamou-nos a atenção a torre da Igreja em mau estado sem sino e com o relógio parado no tempo.
São Martinho, Funchal
Há cerca de duas dezenas de anos, a torre da Igreja foi alvo de uma intervenção, pois apresentava uma certa inclinação. Na altura foi feita uma intervenção em resina de fibra de carbono através de orifícios na cúpula da torre. O catavento foi retirado, assim como os sinos, que poderiam causar vibração. Até aos dias de hoje não foram colocados os elementos em falta. Os terrenos circundantes estão baldios e propícios a incêndios.
São Martinho, Funchal
No domingo seguinte visitámos por acaso o Porto da Cruz e uma vez mais notámos que o relógio se encontra avariado. Resolvemos realizar uma visita a diversas Igrejas espalhadas pela ilha da Madeira para ver se era mal comum.
Porto Moniz

 

No Porto Moniz, a torre da igreja tem os quatro relógios parados no tempo cada um com  os ponteiros em horas diferentes. Uma outra visita à Fajã de Ovelha: relógio avariado.
Aqui fica um registo de algumas Igrejas com os relógios já há alguns anos parados. Sugerimos a contratação de um relojoeiro, seja suíço ou lusitano, que, de empreitada, recupere este património de interesse mecânico e histórico.
O património religioso na Região necessita urgentemente de um levantamento para salvar o que ainda resta. As igrejas, na maior parte, necessitam de intervenções rápidas: é o nosso alerta.
Mas as nossas chamadas de atenção bem intencionadas têm merecido alguns reparos de personagens ligadas à Igreja.
No caso do Solar dos Freitas, cujo estado ruinoso abordámos recentemente, o mesmo “não é da Diocese mas sim da Paróquia”. Mas há bananais que circundam este edifício de ruínas e alguém fica com o dinheiro da banana. Quanto à capela de São Paulo recebemos uma mensagem que reproduzimos: “A Capela de São Paulo é classificada de interesse público. A  lei determina a quem cabe a obrigação de reparação e de financiar as situações descritas”
A capela vai pois continuar encerrada  até que a Direcção Regional da Cultura tenha verbas para restaurar os altares. Conclusão: O Governo não é dono de Igrejas” mas quem quer ter património que o pague”…
Quanto aos relógios, é questão de dar corda às boas vontades e com certeza que as ofertas dos paroquianos serão suficientes para por os relógios a marcar o tempo…

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