É necessário não esquecer a reposição do varadim do cais do Funchal

Rui Marote
Na altura que a Tecnovia montou o tapume na Avenida do Mar limitando a zona de intervenção dos trabalhos da nova marina do Funchal, procedendo ao desmantelamento e construção da nova área de restauração, a construtora cortou o varandim do cais antigo onde hoje está um novo acesso (escadaria) e anteriormente estava o reservatório de combustível.
Como está não pode ficar uma vez que coloca em perigo os visitantes e principalmente as crianças.
Fazemos este alerta porque a Madeira já não tem metalúrgicas e estes balaustres são de ferro forjado.
Hoje para obter estas peças só em Portugal continental, tanto quanto sabemos. É bom alertar a tempo, porque os trabalhos prolongaram-se por 4 anos, e já não é primeira vez que materiais desaparecem no estaleiro.
Recordemos o caso da estátua de Paul e Virgínia que estava na lagoa do Jardim Municipal e quando da abertura de uma das vias da Avenida Manuel de Arriaga no tempo de Fernão de Ornelas, foi retirada e guardada num armazém do município. Com a estrada pronta, a lagoa do jardim ficou mais pequena e Paulo e Vírginia deveriam regressar… só que a estátua desapareceu. Foi mandado realizar a escultura daqueles meninos em mármore, de António Maria Ribeiro, criada em 1943 e que desde entãoo se encontra no centro  da lagoa do Jardim.
Sessenta anos passados, a estátua de Paulo e Virgínia apareceu na casa do comendador José Fernandes em New Bedford… Sem mais comentários.
Aproveitamos para lembrar que o nosso cais da cidade o ex-libris da frente de mar do Funchal, necessita de obras urgentes, nomeadamente um novo piso, algumas cantarias repostas e o o varandim todo recuperado.
ACTUALIZAÇÃO:
Entre a redacção e a publicação deste artigo, foram entretanto colocados cinco vasos com malvas no cais do Funchal, idênticos aos que estão no cais sul da -Pontinha para proteger as pessoas e prevenir o perigo de cair.
Pensamos que sejam provisórios, uma vez que alteram a arquitectura do cais. E não prevemos bom destino a longo prazo, aliás, pensando que não demorará até que sejam depositários de beatas e lixo, correndo mesmo o risco de serem atirados para escadaria na calada da noite causando danos. Não surpreenderia, dado o vandalismo que frequentemente se observa à noite na cidade.
A primeira referência à construção de um cais digno no Funchal remonta de a 1817, aquando da visita da arquiduquesa de Áustria D. Maria Leopoldina Carolina Josefa cunhada de Napoleão Bonaparte então futura imperatriz do Brasil que seguia para o Rio de Janeiro para se juntar a D. Pedro I, com quem já havia casado por procuração.
A crescente procura do destino Madeira em finais do século XIX e princípios do século XX foi de tal modo que em 1930  a Junta Autónoma das Obras do Porto decidiu a sua ampliação, que ocorreu entre Junho de 1932 e Janeiro de 1933. A inauguração foi agendada  para o dia 28 de Maio desse ano, uma data simbólica do Estado Novo: queda da República e instauração  da Ditadura Militar – assim reza a História.

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