94% dos portugueses querem uniformização das regras sobre as bagagens de mão

Um estudo recente da Euroconsumers, realizado em Portugal, Bélgica, Itália e Espanha, revela alinhamento entre os consumidores portugueses sobre a uniformização das políticas de bagagem de mão das companhias aéreas. O inquérito, que abrangeu mais de 700 participantes em Portugal, destaca a falta de transparência e o desejo generalizado de clarificação e uniformização das regras das bagagens nas várias companhias aéreas.

A divulgação destes resultados surge num momento crucial em que a União Europeia tem vindo a debater ativamente a revisão do Regulamento relativo a regras comuns de assistência aos passageiros dos transportes aéreos, que visa reforçar um conjunto vasto de direitos dos passageiros aéreos e a transparência no setor. Entre as alterações incluem-se as regras sobre bagagens de mão que, apesar de já terem o acordo dos Estados-membros, ainda aguarda a aprovação do Parlamento Europeu.

A experiência de ter a sua bagagem de mão enviada para o porão devido à falta de espaço na cabine foi sentida por 38% dos inquiridos portugueses que viajaram nos últimos 2 anos, valor que se alinha com a média europeia. A clareza na comunicação e transparência das companhias aéreas é uma falha notória para os passageiros portugueses. 42% não acreditam que as companhias aéreas comuniquem de forma clara as taxas de bagagem de mão no momento da reserva, e um terço dos inquiridos portugueses considera que as políticas de bagagem de mão (incluindo o número de itens, tamanho e peso) não são comunicadas de forma transparente. Esta falta de informação pode levar a surpresas desagradáveis e a custos adicionais no aeroporto.

No que toca às expectativas, os consumidores portugueses são unânimes: uma esmagadora maioria (85%) defende que a bagagem de mão deveria estar incluída no preço do bilhete, e uma percentagem ainda maior, 94%, exige a uniformização das regras para todas as companhias aéreas. Ainda, a perceção de que as companhias aéreas utilizam as taxas de bagagem para enganar os consumidores e obter mais lucros é partilhada por 70% dos inquiridos portugueses.

Perante este cenário, os consumidores portugueses apelam à ação: 77% consideram que as organizações de consumidores deveriam agir contra as companhias aéreas que cobram taxas de bagagem de mão, e 95% apelam às autoridades da União Europeia para que clarifiquem e uniformizem as regras relativas a estas taxas.

Os resultados do inquérito nos restantes países europeus são similares aos de Portugal, sublinhando um problema generalizado. Existe uma necessidade urgente de maior transparência e regulamentação nas políticas de bagagem de mão, visando proteger os direitos dos consumidores e garantir uma experiência de viagem mais justa e previsível. As reivindicações dos consumidores portugueses reforçam a importância de uma intervenção ativa das organizações de consumidores, como a DECO PROteste, e das autoridades da União Europeia para assegurar que as regras de bagagem de mão sejam claras, padronizadas e justas para todos os passageiros.

O inquérito recolheu um total de 3843 respostas válidas em quatro países europeus: 1070 na Bélgica, 1028 em Itália, 701 em Portugal e 1044 em Espanha. Os dados foram recolhidos entre 26 de junho e 2 de julho, abrangendo participantes com idades compreendidas entre os 25 e os 79 anos. As respostas foram ponderadas para refletirem a opinião e a experiência da população em termos de género, idade, nível educacional e região.


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