JPP acusado de populismo no plenário de hoje

 

Houve no plenário do parlamento, esta manhã, discussão sobre um projeto de resolução que recomenda que o Governo regional estude a viabilidade da construção de uma segunda rampa para carga rolante e respectivo terrapleno de apoio por forma a viabilizar a ligação por ferry entre a Madeira e o continente.

“A Madeira e Açores são as únicas regiões ultraperiféricas da Europa que não são servidas de ferry para passageiros e mercadorias, que as ligue de volta à Europa. O ferry é um transporte viável para introduzir concorrência no preço dos fretes do transporte marítimo de carga, encontrando-se para já materializado apenas em vários programas de governo, e com compromisso do Governo da República. Uma segunda rampa disponível, com respectivo terrapleno de apoio, constitui uma mais-valia para garantir mais autonomia aos ferries e uma maior flexibilidade de operação. Quem deseja que a operação se concretize, terá de dar esse passo, em termos de futuro”, afirmou Élvio Sousa.

O projeto de resolução do JPP serve para estudar a viabilidade de localização para a construção de uma segunda rampa, já que, de acordo com Élvio Sousa, “o porto da Caniçal dispõe de uma rampa mas tem o constrangimento de não poder acomodar os ferries mais modernos quer pelo comprimento, mas acima de tudo pela boca máxima (máxima largura do navio), limitada a 22 metros, quando temos no mercado ferries com 30 metros de boca, ou mais. A experiência do passado mostra-nos a importância de uma ligação marítima ferry para a economia regional tendo, inclusive, em 2019, o presidente do Governo, Miguel Albuquerque, reunido com António Costa onde ficou estabelecido avançar com um estudo de mercado no sentido de avançar com a linha ferry entre a RAM e a Portugal Continental”.

O deputado concluiu ao declarar que “águas passadas não movem moinhos diz o ditado popular. Passemos à ação, e deixemos esta recomendação, de vital importância para a modernização dos transportes na Região, ao crivo da maioria”.

Miguel Castro, do Chega, respondeu ao projeto ao afirmar que “mais uma vez vem o JPP escolher este palco para uma medida que é uma completa e pura propaganda política”. Lembrou que o partido proponente chegou a anunciar que tinha um operador contratado para vir fazer a linha ferry, mas que “a verdade é que nunca apareceu. Estas medidas populistas que o JPP traz não servem de nada. O que exigimos ao Governo da República que toma hoje posse é que concretize esta operação, independentemente de uma rampa que levaria imenso tempo a construir”.

Victor Freitas, do PS,  também viu sinais de populismo na proposta do JPP e denunciou a falta de “coragem política” em indicar a localização da pretendida rampa de carga rolante, remetendo-se para os técnicos a decisão sobre se seria no Funchal ou Caniçal.  Élvio Sousa respondeu a estas afirmações ao referir que “o PS está ciumento” com este projeto de resolução e “preocupado com o populismo” porque não trabalha junto do povo.

Rafael Carvalho, do PSD, acusou o JPP de mentir aos madeirenses quando anunciou que se fosse Governo Regional já tinha acordo com um operador para retomar a linha ferry, quando tal medida exigiria sempre a realização de um concurso público internacional. Explicou que o porto do Funchal continua a bater recordes de passageiros de cruzeiros e megaiates. Só no primeiro trimestre somou 266 mil passageiros e arrecadou meio milhão de euros em taxa turística. Sente  que “o que o JPP quer é mais betão, mais trânsito no Funchal, viaturas ligeiras e pesadas, tudo ao molho, mais caos”.


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