Contributos da Inteligência Artificial em prol da Arte

Mais do que nunca a arte contemporânea, nas suas mais diversas vertentes, é uma área criativa em persistente evolução. E é mais do que sabido que a Inteligência Artificial (IA) tem desempenhado um papel crescente e transformador no campo da arte, oferecendo uma série de contributos significativos – quando bem utilizados – que influenciam tanto a criação, como a fruição artística.
Atualmente a IA instalou-se junto de nós, para ficar – quer queiramos ou não – como uma ferramenta preponderante, que está a moldar a forma como interpretamos e criamos arte. Cada vez mais, a IA gera, como sabemos “obras de arte” irreconhecíveis, em comparação com as que são criadas por verdadeiros artistas de carne e osso. Mas esta moderna “afronta” traz-nos questões éticas e filosóficas sobre a originalidade e obviamente sobre a propriedade intelectual. No entanto, embora coloque desafios éticos e filosóficos, também oferece novas oportunidades de criatividade e interação. Ou será a IA uma espécie de extensão do processo criativo do artista? Não me parece. E será que a “arte” criada pela IA tem alma, intenção, tal como a maioria da arte criada pelo ser humano? Também julgo que não.
Com a evolução das novas tecnologias, cada vez mais acelerada, vamos ter de entender e aceitar normalmente a presença da IA, numa estreita colaboração com o ser humano. Pois a IA oferece hipóteses de ajuda no universo da arte que devemos ter em conta. Digamos que perante a “arte gerada” por IA, primeiro estranha-se e depois entranha-se – relembrando Fernando Pessoa.
A autenticidade e a autoria da criação que é sempre humana, visto que a IA funciona na base do “plágio” algorítmico. Apesar dos avanços deslumbrantes da IA na arte, há aspetos delicados e essencialmente humanos que a IA não consegue alcançar, como por exemplo, a consciência e a intenção própria. Quando um artista cria, há uma intenção comunicativa. Já a IA apenas replica padrões selecionados numa enorme base de dados. A IA não tem consciência, nem sentimentos, porque executa a mando do ser humano.
A IA não participa de forma autónoma e com consciência em debates sociais, como fazem os artistas com a comunidade. Uma obra de arte crida pelo ser humano carrega o valor e o peso da autoria cultural. É verdade que a IA produz imagens, músicas ou textos, mas não é autora no verdadeiro sentido cultural e filosófico. A IA é uma ferramenta poderosa e útil, mas não substitui o ser humano como criador consciente, sensível e social.
Ao contrário da IA, que opera com base em algoritmos e dados, o ser humano cria arte com intenção própria e expressão consciente. Cada artista é um sonhador, social, irrepetível, moldado por experiências, valores, cultura e identidade, qualidades que confere à sua obra de arte.
Em suma, a IA representa uma oportunidade extraordinária no campo artístico desde que seja utilizada de forma responsável. No entanto, não substitui a essência do ser humano na criação da arte. E nem vale a pena acharmos que podemos recusar a IA na nossa vida ou termos receio de usar as suas ferramentas, pois a IA veio para ficar e ajudar-nos a evoluir nesta “nova era”.


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