Emigração II – Navios e Vapores do Cabo

Se aceitarem, navegaremos juntos. Falaremos – então – no convés dessas cidades flutuantes, da vida, das cidades, dos países e das gentes que brotam na razão de ser de todo este” frenesim” marítimo.

Em 1960 foi o fim da Companhia BUCKNALL. Em 1953 o navio GUJARAT foi vendido à CATHAY SHIPPING Co. em Singapura e renomeado EVERLIFE. O INCOMATI foi afundado na II Guerra. O AENEAS que vinha do Reino Unido para a Austrália, foi bombardeado a 21 milhas de Start Point no dia 2 de julho de 1940. O ANCHISES, também da BLUE FUNNEL LINE foi bombardeado a 27 de fevereiro de 1941 a cerca de 180 milhas da Ilha de North Aran. Resultado do ataque; 16 mortos,160 sobreviventes.

A BLUE FUNNEL LINE terminou o transporte de passageiros nos anos de 1960. O ASCANIUS foi vendido para a Itália em 1949 e rebatizado GIOVANNINA até 1952.Estes navios, e nestas datas, operavam a uma velocidade de 14/15 nós. O NESTOR e o ULYSSES tinham as chaminés mais altas. O segundo destes, usado como navio de transporte de tropas, foi bombardeado no dia 19 de abril de 1942. A média de vida destes navios foi de 38 anos. O HELENUS e o PELEUS da ALFRED HOLT’S FUNNEL LINE aparecem na carreira de passageiros durante a II Guerra Mundial, e entre 1949-1951, no trajeto para a Austrália via Canal do Panamá, Canal do Suez ou Cidade do Cabo.

A BRITISH INDIA LINE servia na rota do Reino Unido para a Índia via África do Sul. O navio ASKA foi usado para transporte de tropas. Foi bombardeado e substituído pelo ARONDA. O AMRA transformado em navio-hospital. Os conflitos que motivaram a chamada “crise do Suez” em 1956 forçaram as rotas pelo Cabo. De novo, pela “emergência do Suez” em 1967 o KENYA e o UGANDA tiveram de navegar via cidade do Cabo. Este navio, (como me lembro e que saudades tenho dele!) transformou-se em barco-escola, mas por pouco tempo. Entre 1968 e 1982 realizou viagens educacionais e depois foi usado em outro tipo de cruzeiros.

A COMPANHIA COLONIAL DE NAVEGAÇÃO iniciou a sua atividade em 1930, realizando ligações entre Portugal e as ex.- colónias portuguesas com navios de segunda mão. O terceiro GERTRUD WOERMANN muda de nome em 1910 e passa a chamar-se WINDHUK, em 1920 passou a designar-se CITY OF GENOA e, finalmente, em 1928, de JOÃO BELO que foi o navio português pioneiro na rota de África para Angola e Moçambique. Normalmente, transportava 340 passageiros.

O COLONIAL Construído como YPIRANGA pela HAMBURG AMERIKA LINE, em 1920 foi renomeado ASSYRIA ao serviço da ANCHOR LINE’S BOMBAY e vendido à COMPANHIA COLONIAL em 1929 para o trajeto Lisboa -Angola-Moçambique.

Construído como CORCOVADO pela HAMBURG SOUTH AMERICA LINE, o MOUZINHO efetuava o serviço de Angola e Moçambique. Foi vendido em 1950.

O primeiro navio construído de raiz para a COLONIAL foi o PÁTRIA, no mesmo estaleiro (JOHN BROWN PRODUCTS) que o QUEEN ELIZABETH.

O PÁTRIA e o MOÇAMBIQUE terminaram a sua atividade em 1972.

O maior e último navio construído por este armador, foi o INFANTE DOM HENRIQUE, mas tarde demais para a sua rentabilização. Foi a 20 de abril de 1969, e por isso nunca terá sido, economicamente, justificado.  Usado para o transporte de tropas e para a evacuação das ex. – colónias, mas muito difícil terá sido a sua alienação.

A EMPRESA NACIONAL DE NAVEGAÇÃO, a partir de 1930, denominada COMPANHIA COLONIAL DE NAVEGAÇÃO adquiriu o ADMIRAL construído na Alemanha que passou a chamar-se LOURENÇO MARQUES e que foi desmantelado em 1951.

O BULOW refugiou-se em Lisboa quando começou a I Grande Guerra, mas foi anexado pelo estado português quando Portugal entrou na Guerra em 1916 e foi renomeado TRÁS-OS-MONTES. Vendido depois à COMPANHIA NACIONAL DE NAVEGAÇÃO que lhe deu o nome de NYASSA.

O PRÍNCIPE PERFEITO, construído em 1960 quando se pensou que as ligações à África estavam aumentando, o que não se verificou, porque tinha ar condicionado, foi mais fácil vendê-lo para o Golfo Pérsico, onde teve o nome de AL HASA

A ELDER DEMPSTER LINE esteve associada à ligação com a África do Sul desde 1906.Em princípio eram apenas transitadas mercadorias entre o Canadá e a África do Sul, só a partir da II Guerra Mundial é que começou a operar com passageiros entre o Cabo e os portos da África Ocidental.

O Navio CALABAR usado para transporte de expatriados ingleses que não podiam voltar a casa devido à Guerra, fazia uma rota de passageiros da África Ocidental para o Cabo e daí para outras partes do mundo.

Falando da ELLERMAN LINES o que nos oferece dizer é que esta companhia teve pouca sorte com os seus navios. O CITY OF LONDON (1907), navio armado que fazia as ligações às Índias “escapou “, mas já o CITY OF PARIS (1907) foi bombardeado. Morreram 122 pessoas. O CITY OF EXETER foi fretado pelo UK para transporte de uma delegação política à Rússia e não teve “problemas”, por outro lado, o CITY OF CAIRO (1917) foi bombardeado em Sta. Helena, resultando a morte de 82 pessoas entre tripulantes e passageiros. O CITY OF BARODA foi também bombardeado. O CITY OF SIMLA (1921) não teve melhor sorte, foi torpedeado e afundado a 50 milhas nordeste de Malin Head nas Hébridas. O CITY OF NAGPUR foi torpedeado a 700 milhas da Irlanda. O CITY OF CANTERBURY mesmo servindo de transporte de tropas gregas não sofreu dados, o mesmo não se poderá dizer do CITY OF VENICE que foi bombardeado e afundado no Mediterrâneo. A pior de todas as “sortes” coube ao navio CITY OF BENARES, construído de raiz pelo ELLERMAN GROUP para a ligação com a Índia via Canal transportava 191 passageiros para os Estados Unidos incluindo 90 crianças de um orfanato, mas na fatídica noite de 17 de dezembro foi torpedeado e afundou rapidamente. A partir desse terrível acidente foi proibida a evacuação de crianças inglesas a bordo de navios.

Feitas as contas, dos 66 navios da ELLERMAN, uma das maiores companhias mercantes da altura, 23 foram torpedeados, 4 capturados e 7 naufragados.

Quanto à FARREL LINES conhecida como AMERICAN-SOUTH AFRICAN LINES operava com 12 navios de passageiros, iniciou esse serviço mesmo antes da II Guerra Mundial, mas o navio CITY OF NEW YORK foi atingido por dois torpedos. Morreram 16 pessoas no dia 29 de março de 1942.

A GERMAN AFRICA LINES, cujo primeiro navio chegou à África do Sul em 1898, e a WOERMANN LINE perderam toda a sua frota durante e depois da I e da II Guerra Mundial.


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