Peças com história – a Royal que marcou gerações

Num dos corredores da Escola Secundária Jaime Moniz, repousa uma testemunha silenciosa de outros tempos: a máquina de escrever Royal, um ícone de ferro e engenho, forjada na América na primeira metade do século XX. A cada 3 de maio, quando se celebra o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, esta peça recorda-nos o papel fundamental que as máquinas de escrever desempenharam nas instituições de ensino, na divulgação de informação, na partilha de histórias e no próprio progresso da humanidade.

As primeiras Royal, robustas e manuais, exigiam destreza e força dos dedos. Esta Royal foi presença assídua no liceu ao longo de várias décadas do século passado: serviu nos serviços administrativos, ensinou datilografia, deu corpo ao jornal da Mocidade Portuguesa e inspirou guiões para peças de teatro escolar.

Entre as décadas de 1960 e 1980, a datilografia tornou-se uma disciplina do currículo português, refletindo a crescente valorização desta competência tanto no meio académico como no profissional. Era uma arte muitas vezes dominada por mulheres, que viam nesta habilidade uma porta aberta para carreiras em secretariado, administração e outras profissões.

Nos anos 1990, o clique dos teclados digitais começou a substituir o som metálico das máquinas de escrever. A datilografia tradicional cedeu espaço à informática, numa transição irreversível que marcou o surgimento de novos métodos de processamento de texto.

Ficha técnica:

Maio: máquina de escrever

Marca: Royal

Centro de fabrico: Nova Iorque, EUA

Datação: 1ª metade do século XX

Proveniência: acervo ESJM

Fotografia: Lília Castanha

Pesquisa e texto: Lília Castanha

 

 

 


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