Rui Marote
Visitei Budapeste meia dúzia de vezes, convencido que já tinha visto tudo. Mas, questionado por um amigo que visitou o país dos magiares uma só vez, sobre se já tinha visitado a Sinagoga construída entre 1854 e 1859 segundo o design do arquitecto vienense Ludwig Forster, tive de responder que não…! Já tinha estado em outras espalhadas pelo mundo, mas não nesta, e ir a Budapeste e não visitar a maior sinagoga da Europa é como ir a Roma e não ver o Papa.
Apostado em preencher esta lacuna, cheguei bem cedo ao local, ainda com as bilheteiras encerradas e já com uma multidão de turistas com os seus guias.
O ingresso não é nada barato: 13.000 HUF, o que equivale a 32 euros. Hesitei por segundos, mas fui em frente.
Seguiram-se as habituais medidas de segurança tipo “aeroporto”. À entrada do templo os homens recebem o kipá, um “chapéu” utilizado pelos judeus tanto como símbolo da religião como de temor a Deus.
As sinagogas principiaram em alguma altura durante o exílio do reino de Judá na Babilónia, após a deportação dos judeus e destruição do templo por Nabucodonosor, em meados do século VI a C.
Nas mesmas havia uma cópia dos rolos do Antigo Testamento que eram mantidos numa arca. Estes templos funcionavam ainda como escolas, onde as virtudes são ensinadas, e também como casa de oração e de caridade.
Ao entrarmos ficámos maravilhados com a grandiosidade da sinagoga, com dimensões colossais, ou não fosse a segunda maior maior do mundo, superada apenas pela de Jerusalém. Mede 53 m de comprimento 26 de largura e tem assentos para 2964 pessoas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazis fizeram dos arredores da Sinagoga um gueto judeu se posteriormente se tornou num autêntico campo de concentração.
Daí, muitos judeus foram enviados para campos de extermínio. Dos que sobreviveram aos campos, mais de 2000 morreram de fome e frio.
Os corpos dos judeus que morreram em tristes condições em Budapeste foram enterrados no cemitério da Grande Sinagoga. O edifício tem um estilo romântico, combinando elementos neomouriscos e neobizantinos.
Tem nove naves abobadadas decoradas com tijolos coloridos, azulejos e arabescos bastante interessantes. Todas as torres incorporam relógios oitocentistas.
No interior impera um estilo que antecipa o art déco, misturado com o neobarroco.
Há muitos candeeiros e um grande lustre a enfeitarem os tectos e as paredes estão decoradas cok arcos recheados de detalhes típicos dos séculos anteriores.
O altar é construído de madeira e o centro coberto por talha dourada.
A coroar o altar, uma pequena cúpula branca decorada de arabescos que esconde o órgão.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o edifício sofreu grandes danos e esteve em risco de ser demolido.
Entretanto, a sinagoga tem também um jardim que incorpora um monumento chamado a Árvore da Vida, imitando um chorão e homenageando 400 mil judeus húngaros mortos nos campos de concentração e não só.
Não é usual haver cemitérios ao lado de uma sinagoga. Mas ali ficaram os que em Budapeste morreram de frio e de subnutrição. O exército soviético abriu valas comuns. É de facto arrepiante a quantidade de lápides que podemos ver, embora nem por sombras atinja a grandiosidade do cemitério de Praga.
Por último, referência para a zona do Museu judeu, onde estão expostos vários objetos que simbolizam a tradição judaica.
Acho vale a pena visitar a grande sinagoga de Budapeste. É uma atracção dque deixei para a última…mas que agora recomendo.
Acho vale a pena visitar a grande sinagoga de Budapeste. É uma atracção dque deixei para a última…mas que agora recomendo.
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