Musschia isambertoi: Uma urgência por atender há 20 anos, pelo Governo da Madeira

Ex deputada do PS, Sílvia Sousa Silva, escreveu na sua página do facebook o seguinte texto:

A necessidade urgente de proteger uma espécie endémica da Deserta Grande e ameaçada de extinção, a Musschia isambertoi e a intenção de colocar vedações para o efeito, volta a ser notícia passados mais de 3 anos.
A 7 de Janeiro de 2022, o Diário de Notícias da Madeira anunciava um projeto que revelava a intenção do IFCN colocar vedações para impedir as cabras de se aproximarem dos poucos exemplares restantes da única população da Musschia isambertoi existente na Deserta Grande. Hoje, a urgência de medidas de proteção voltam a ser notícia.
O risco de extinção é conhecido há cerca de 20 anos, mas essa informação não foi suficiente para proteger o núcleo mais acessível, que ainda existia de exemplares da Musschia.
De acordo com a noticia requentada de hoje, que coloca mais uma vez as cabras como bode expiatório das politicas falhadas de conservação da natureza da Madeira, a espécie considerada “criticamente em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) foi identificada em 2007 e já então registou-se a existência de poucos exemplares divididos por 2 populações o que deveria ter sido suficiente para desencadear medidas de proteção., enquanto era tempo e a espécie era mais abundante e mais acessível.
Não foi, pelo que se pode concluir que a maior ameaça à sobrevivência desta espécie não são as cabras que coexistem com a espécie há várias séculos mas, no mínimo, a inação dos serviços competentes pela sua proteção ou talvez a sua irresponsabilidade, nomeadamente através da utilização de herbicida não seletivo nas Desertas.
Dúvidas houvesse….
– Porque é que não foram colocadas vedações ou outro tipo de proteção na população mais acessível de Musschia isambertoi antes do núcleo desaparecer?
– Porque é que as sementes disponíveis da espécie são de 2005? Depois dessa data e enquanto existiam indivíduos em locais mais acessíveis não foram efetuadas mais recolhas de sementes de uma espécie que se sabia ameaçada?
– Porque é que o projeto, de colocação de vedações, anunciado em 2022, ainda não foi executado e volta a ser anunciado?
– Porque é que a construção da estufa na Deserta Grande, para multiplicação de espécies iniciada há cerca de 8 anos, nunca foi concluída?
– O núcleo mais acessível da Musschia desapareceu de uma só vez ou desapareceu de forma gradual, havendo tempo, caso houvesse vontade para intervir no sentido de a proteger?
– Se desapareceu de uma só vez, não terá sido por causa da cabra que coexiste com a espécie há muitos anos. Terá sido uma aplicação irresponsável de herbicida depois das intervenções de redução do numero de cabras e consequente aumento das invasoras?
Ficam as questões….🤨

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