JPP recusa “leitura redutora e conveniente” de inquérito sobre o turismo na RAM

O secretário-geral do JPP refere que o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura fez uma “leitura redutora, conveniente e selectiva” do Inquérito aos Residentes sobre o Turismo na Região, da responsabilidade da Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM).

Élvio Sousa classifica de “pertinente” o trabalho da DREM para se perceber os impactos na vida quotidiana dos madeirenses e porto-santenses face à invasão do turismo massivo na Região. Mas considera que o inquérito peca por não esclarecer, “ou propositadamente não quis esclarecer”, questões fundamentais como o impacto no custo de vida dos madeirenses, nas fortes restrições ao aluguer e compra de habitação por parte dos residentes devido à transferência para a actividade de alojamento local das casas disponíveis no mercado, mas também ao nível da mobilidade, deixar e apanhar os filhos nas escolas, nas deslocações casa-trabalho, situações claramente alteradas, a exigirem mais tempo perdido nas estradas, em resultado do aumento exponencial de viaturas que circulam diariamente na Região.

“Parece que o estudo foi encomendado pelo secretário da Economia e Turismo para ele poder sustentar um discurso à medida do que já vinha afirmando publicamente”, considera Élvio Sousa.

“Mais de 92% dos inquiridos acham que o fluxo actual de turismo é muito alto ou alto, mas sobre isto o Secretário Regional nada diz, refugia-se nos 6,3% das pessoas que dizem sentir-se incomodadas, mas que se saiba os madeirenses em 200 anos de tradição turística foram sempre conhecidos pela hospitalidade e coexistência com os forasteiros, o problema não é esse.”

Para o líder do JPP o problema está “nas questões que realmente têm impacto na vida dos madeirenses, e essas não fazem parte deste estudo, o que é pena, pois pressupõe falta de coragem política para enfrentar o problema e tomar decisões atempadamente”.

No seu entender, dizer que “92% dos residentes não precisaram de alterar os seus hábitos de vida” é quase “surreal”, e explica: “Claro que interfere, já dei exemplos de questões com implicações directa na vida dos madeirenses, é o custo de vida altíssimo, a dificuldade em arrendar casa, as filas de trânsito intermináveis, acham isto pouca coisa. Qual é a solução? Querem que os madeirenses se vão embora da ilha, deixem de trabalhar, não possam ir ao supermercado e ter uma vida normal”.

Élvio Sousa reforça o turismo como “suporte principal da economia regional”, mas diz ser necessário “gerar equilíbrios” e “cuidar da vida das famílias, das pessoas, governar para os residentes e não apenas para os recordes no turismo empobrecendo os madeirenses e retirando-lhes qualidade de vida, que já não é muita”.

O líder do JPP entende que a invasão de turismo massificado “é hoje uma preocupação das comunidades” locais, regionais e nacionais que o Governo Regional não pode ignorar.

Recorda especialistas que se referem ao turismo como uma forma de consumo que “contem inevitavelmente alguns aspectos vorazes, de depredação dos recursos locais” e por isso recomendam que “a única forma de não ser destrutivo é impor limites quantitativos, porque é impossível que a vida urbana saudável não seja perturbada”.


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