Museu de Arte Sacra reabre colecção de Arte Flamenga

A exposição permanente dedicada à arte flamenga no Museu de Arte Sacra do Funchal reabre ao público com nova configuração, depois de ter estado encerrada cerca um mês, refere a instituição.

A intervenção decorreu no âmbito do Projecto MASF: A Exposição de pintura flamenga, financiado pelo programa de apoio aos museus da Rede Portuguesa de Museus “Pro-Museus 2023” e compreendeu uma revisão e actualização da exposição de pintura flamenga do MASF.

A par com a escultura flamenga, este conjunto encontra-se exposto no segundo piso do museu. A última revisão museográfica desta área de exposição remonta a meados dos anos 1990. A proposta de reformulação museográfica abrangeu vários âmbitos de intervenção e visou melhorias, quer ao nível da preservação da coleção, quer ao nível da experiência dos públicos que a visitam.

O que há de novo?

+ Acessibilidade + Informação + preservação

Sendo a coleção de pintura flamenga um dos principais ex-libris deste museu, entendeu-se ser da maior relevância repensar e readequar os modos como os visitantes contactam com ela, melhorando as suas condições de exposição em termos conservativos, explica-se.

Assim, foram três os principais eixos de intervenção para a reformulação da exposição, de certa forma, interdependentes:

– Mediação e comunicação – introdução de textos de núcleo (de parede); revisão do layout e suportes das legendas; adição de legendas desenvolvidas, informação contextual e outras curiosidades distribuídas em diversos níveis de leitura;

– Preservação e acessibilidade – substituição dos suportes expositivos das pinturas em formato de tríptico e dos painéis laterais de pintura desmembrados, melhorando a qualidade dos materiais empregues nos suportes e permitindo aos visitantes a contemplação integral dos painéis e trípticos com pinturas em duas faces;

– Ambiente e harmonização do espaço – Foi mantido,  de modo geral, o critério de distribuição das obras da coleção de pintura flamenga (datação, expressão artística e atribuição autoral das peças), reforçando os núcleos com textos de parede. Porém, a alteração dos suportes e a colocação de legendas e textos motivaram, em alguns casos, ajustes na distribuição de volumes e áreas de descanso.

Ao nível do ambiente, há algumas novidades em termos de cores, atendendo à própria atmosfera que se pretendia criar, em alinhamento com a imagem e identidade visual do MASF.

O MASF, em contexto

O Museu de Arte Sacra do Funchal abriu ao público em 1955, num edifício histórico – o antigo Palácio Episcopal do Funchal, cuja construção original remonta aos finais do século XVI. Desde a sua abertura, as áreas de exposição permanente foram sendo ajustadas com mudanças mais ou menos significativas, em função do crescimento da coleção e, claro, da crescente sensibilidade no que respeita às questões comunicação, de conservação e conservação preventiva.

A dinâmica e os discursos foram sendo ajustados apesar das dificuldades inerentes às limitações que a alteração funcional do edifício impunha em aspetos como a acessibilidade, áreas funcionais, etc.

A primeira metade dos anos 1990 configurou-se como um dos momentos de maior mudança em termos museográficos, optando-se definitivamente por reunir a pintura e a escultura de origem flamenga no segundo piso do Museu e as coleções de origem portuguesa e de outras origens no primeiro piso do museu. Em cada um dos pisos, as coleções organizaram-se numa narrativa coerente, em termos historiográficos, cronológicos e tipológicos, favorecendo, aqui e ali, os diálogos entre diferentes tipologias.

A configuração então definida para a arte flamenga manteve-se, até hoje, com pouquíssimas alterações, inclusive ao nível de luminotecnia.

O presente projecto estabelece continuidade com o projeto museográfico anterior, procurando melhorar as condições em que a peças são expostas atendendo às necessidades e boas práticas de conservação e visando melhorar a qualidade da experiência proporcionada aos diferentes públicos que visitam o MASF.

Um museu é um espaço vivo e dinâmico, que se quer aberto a todos, pelo que o futuro se abre em desafios, sobretudo a nível da conservação preventiva, no que respeita o controlo ambiental e, muito particularmente, da acessibilidade e inclusão.

Um museu é um lugar de estudo, preservação, fruição, aprendizagem, reflexão e diálogo, um lugar que nos pertence. A todos.

“O MASF quer assumir-se, cada vez mais como um espaço museológico de referência na Região Autónoma da Madeira, um lugar onde a cultura se encontra com a ciência e a fé e são felizes”, assegura-se.

Na edição de 2023 do Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus – ProMuseus 2023 foram aprovados para financiamento 40 projectos de 40 museus em todo o país, no valor total de 1.684.031,33 euros, cuja comparticipação da DGPC é de 997.854,31 euros, a atribuir de forma repartida em 2023 e em 2024.

O Museu de Arte Sacra do Funchal foi um dos dois museus madeirenses distinguidos no processo de candidaturas, sendo apoiado com um total de 29 783,52 €, correspondestes a 60% do custo total do projecto.

O MASF já havia sido apoiado nas outras edições deste concurso: em 2019 com o projeto MASF mais acessível que visou a revisão da sinaléctica de direcção e de localização do MASF e a integração de rampas para acessibilidade física no piso 0; e em 2021 com o projecto MASF.pt que visou a criação de um novo sítio online para o Museu, sendo de realçar que este último contou ainda com o apoio do Município do Funchal, através do seu programa de apoio a actividades de interesse cultural.


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