Não faças hoje o que podes deixar para… depois do fim de semana.

Fogem  cinco criminosos perigosíssimos da cadeia de Vale de Judeus e, até agora, nem uma palavra da tutela da Justiça.

Não fosse a gravidade da situação, e pareceria um jogo de escondidas de crianças.

É assim, Meninos, agora,  todos caladinhos, de olhos fechados, atrás deste confortável arbusto, que o lobo mau desaparece, lá longe, na sombrinha da floresta.

Olha ali, dizem os meninos de olhos abertos. Afinal, o lobo mau está mesmo aqui atrás de nós e não espera que a gente chegue à idade da avó.

Ora essa, querem ver que fazer de conta faz desaparecer a realidade?

Então não é que até funciona exatamente ao contrário: ignorar o problema faz a realidade entrar, sentar-se na sala, e não há maneira de demovê-la ou fazê-la dali “arredar pé” até que alguém, superiormente, tenha a sensatez de atendê-la e enfrentá-la?

Não, não e não, insiste a realidade. Dali não sai e de nada vale “fazer de morto” ou esconder-se no guarda-fato do silêncio ou da negação.

Na melhor das hipóteses, a Ministra virá amanhã falar ao país, sendo de prever uma “frente fria” para acalmar as “elevadas temperaturas” mediáticas e sociais. Uma coisa é certa, serão reconhecidas fragilidades securitárias. Outra, ciclos de desinvestimento. Repensar o sistema e  procurar soluções ficará para outra altura…

Estamos a acompanhar o caso com preocupação, com a serenidade que o bom senso e a gravidade da situação recomenda. Não queremos alarme social, aproveitamentos políticos, perturbação das investigações e afins.

Vá, vão para dentro que tudo está a seguir os trâmites normais e processuais.

Até aqui tudo certo. Resultados?

Esperem sentados que a justiça tarda, mas não demora. Entretanto, evitam-se problemas de coluna. Daqui a 4 ou 5 anos, lá para as férias de carnaval, que ninguém leva a mal, haverá consequências. O sistema penitenciário tem de ser reformado? Claro. Vai ser?

Parece-me ouvir aí ao fundo, “Essa não é a questão essencial”. Pois, como até agora não tem sido e “siga, Freitas”.

Feita a prova dos nove, todos foram, de alguma forma, responsáveis, o que é equivalente a dizer que a responsabilidade é de… de…

Hipótese A: Ninguém.

Hipótese B: Pessoa alguma.

Os responsáveis pelas políticas do passado dirão que era do passado anterior, e os do presente dirão que herdaram os problemas do passado.

Confuso? Não.

É o chamado “passa-culpas” do costume.

Então, e como perguntava o meu Pai, “O que há de novo?”

Com a everéstica burocracia e cultura de desresponsabilização que temos, tenham paciência, não há milagres.

Então e quem vai pagar o pato? A continha vai para a mesa do “elo mais fraco” do sistema ou vai demitir-se quem disse que não se demitia? Ou, pelo contrário, não se demite ninguém e ninguém é demitido, “deixando à justiça o que é da justiça”, ou ficamos a aguardar a infindável maratona do “processo de averiguações” até ao chamado “apuramento de responsabilidades” para este caso e pouco ou nada se fará para repensar em soluções de fundo para  as mais que conhecidas e ignoradas entorses, como a descapitalização e abandono do sistema?

Infelizmente, dita o realismo de um otimista desiludido, neste como noutros casos sistémicos adiados e ignorados, “apuramento” é linguagem técnica da gastronomia   de “chefs” de cozinha desastrados como eu.

Fica a apurar, a apurar, até apagar lume e gás e, pronto, lá esturrou o “cozido à portuguesa” e, até outro, nem o pai almoça nem a mãe janta.

 

 


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