O Bloco de Esquerda foi hoje à Encumeada e constatou um cenário “desolador”, com encostas calcinadas pelo fogo e que representam um perigo acrescido para as populações durante o Inverno.
“A nossa ilha está a arder há já onze dias. Em primeiro lugar, o Bloco de Esquerda expressa, mais uma vez, toda a sua solidariedade às pessoas afectadas pela tragédia dos incêndios, a quem viu e combateu o fogo junto das suas casas, dos seus animais e dos seus terrenos agrícolas”, refere uma nota.
“Deixamos uma palavra de agradecimento aos bombeiros, às forças de segurança, às forças de protecção civil que, desde a primeira hora, estão no combate o incêndio e que, mesmo exaustos, nunca abandonaram o seu dever”.
“O mesmo, infelizmente, não podemos dizer do presidente do Governo. Felizmente não há vidas humanas nem património edificado a lamentar, mas há um desastre ambiental de repercussões incalculáveis”, considera o Bloco.
“E perante mais esta calamidade que destrói o património natural da Madeira, a nossa biodiversidade, a fauna e a flora de tantos lugares, agora e no futuro, o Bloco de Esquerda entende que a culpa não pode continuar a morrer solteira e que há responsabilidades também políticas a vários níveis que têm de ser apuradas”, prossegue o comunicado.
“Até porque este incêndio demonstrou a negligência e a inércia do governo regional na prevenção, apesar de todos os ensinamentos que os fenómenos que a ilha tem atravessado ao longo da sua história recente trouxeram”, sentencia.
De acordo com o BE, não há planeamento florestal nem ordenamento do território sério na Madeira, que proteja de facto o interesse público, as pessoas e o património natural.
O partido critica ainda a “irresponsabilidade do Governo Regional na gestão do combate aos incêndios”.
“A incompreensível demora no pedido de ajuda nacional e na aplicação de todos os meios no combate, quando era do conhecimento as condições climatéricas e o comportamento dos fogos perante a nossa orografia e os ventos que se geram; o deixar arder; as contradições e vários outros episódios que fomos assistindo ao longo deste tempo”, refere.
“Ontem tivemos mais um desses momentos. Soubemos que o Governo Regional recusou integrar o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Uma estratégia de combate a incêndios e de protecção civil criada em 2020 para todo o país que agiliza e torna mais rápido o acesso aos meios nacionais e internacionais disponíveis no combate aos incêndios e de auxílio às populações. A ajuda seria automática e não ficaria dependente de pedidos formais e por etapas.
Mas Miguel Albuquerque e os senhores do PSD, que se julgam donos e senhores da Madeira, recusaram participar na articulação desta estratégia nacional porque acharam que colocava em causa a nossa Autonomia”, lamentam os bloquistas.
“É exactamente ao contrário. A Madeira não está representada nesta importante estratégia nacional de combate a incêndios e isso sim é um atentado à nossa autonomia e às especificidades do nosso território, bem como coloca em causa a vida de quem vive na ilha, o seu património natural, que não pode ficar refém de humores e da arrogância de políticos que já demonstraram não ter respeito pela Madeira e pelos madeirenses e muito menos pelo património natural da Região”.
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