Zona Velha da cidade ou “Caminito” argentino?

 

Rui Marote
 A nossa Zona Velha da Cidade, que passa actualmente por muitas dores, sucumbiu à massificação turística e está hoje transformada num “Caminito” um bairro argentino em Buenos Aires  conhecido pelas suas casinhas coloridas onde se dança o tango e onde há muitos artistas de rua.
Lamentamos a destruição e atentados à nossa história. Não se dança ali o tango mas a poncha marca todas as noites o encontro de jovens e não jovens.
A Poncha da Madeira é um produto tradicional enraizado na cultura do povo madeirense, que, ao longo de gerações vem dando vida a esta bebida emblemática. A sua existência remonta ao século XIX, como adaptação da bebida conhecida por “panche” trazida da Índia pelos viajantes ingleses no século XVIII, reza a história.
Também se atribui a sua criação aos pescadores de Câmara de Lobos que a consumiam antes de partirem para a faina como profilaxia da gripe e outras doenças.
Mas a nossa Zona Velha é muito mais que poncha. A Zona Velha do Funchal ou Núcleo Histórico de Santa Maria é uma zona onde se pode viajar até aos primórdios da colonização do Funchal.
Foi uma das primeiras áreas a ser povoada, e assumiu cedo um papel preponderante no desenvolvimento da cidade. Era uma zona pobre: a maioria dos seus habitantes estava ligada ao mar.
Recuperacao impecável, este prédio e o na foto abaixo. Somente peca pelo facto de todas janelas terem varandas, No original não existiam.
Fernão de Ornelas assinalou com uma roda vermelha as habitações que não tinham salubridade, cujas famílias foram transferidas para um dos primeiros bairros (São Gonçalo) construídos na cidade do Funchal, atenuando o problema da miséria.
Ainda hoje existem duas casas com essa sinalética. O Forte São Tiago resiste como um baluarte à degradação: esta fortificação foi principiada na Dinastia dos Filipes construída em 1511 em 1614 data que se inscreveu sobre o primitivo Portão de Armas.
Em 1801 á época da Guerra Peninsular desembarcaram na Madeira 3500 soldados britânicos. tendo alguns ficado aquartelados neste forte.
Em 1803, aquando do grande aluvião, ali se alojaram as vítimas que tinham ficado sem habitação.
Em 1901, na visita do Rei D. Carlos I à Madeira, o monarca almoçou na fortaleza. Foi quartel da Bateria de Artilharia Nº3 .
Em 1974 foi ocupada pela polícia militar, que instalou ali o Esquadrão de Lanceiros do Funchal.

Actualmente encontra-se inserida nos limites classificados da Zona Velha por sua vez classificada como “Monumento de Interesse Regional”.

Após passar por uma intervenção de restauração, foi requalificada como espaço museológico e aberta ao público em 17 de Julho de 1992 sediando o Museu de Arte Moderna do Funchal, depois transferido para a Casa das Mudas.

Neste momento está ser instalado o museu de arqueologia. Em quatro séculos de História os madeirenses em 32 anos deixaram que o forte chegasse ao estado que já anteriormente referimos. Muitos milhares de euros irão custar ao erário publico a sua recuperação que vai continuar adiada. Sabe-se lá até quando.

Mas o decreto legislativo Regional 21/86/M, de 2 de Outubro, bem elaborado, ditou regras. Porém, os governantes fizeram ouvidos de mercador, aplicando apenas a lei que lhes interessa.

Temos uma Zona Velha que é uma manta de retalhos. E o nosso cartaz turístico é as portas pintadas das casa devolutas ou em ruínas, imitando o Caminito, não ao som de Gardel muito menos de Max, que não viveu na Zona Velha.


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