Representante da República entrega prémios do Concurso Camões e sugere uma escola que vá mais além

 

A vencedora do prémio Camões, Maria Inês Silva, com o júri, composto por Irene Lucília, Agostinho Lídio Gonçalves e Anabela Pita, e demais entidades oficiais.

O Representante da República para a Madeira distinguiu a aluna Maria Inês Martins Silva, do 12.º ano, da Escola Secundária Francisco Franco, com o primeiro prémio do Concurso Literário alusivo ao Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Data recheada de simbolismo, aventura e reconhecimento à grandeza e arrojo da alma nacional.

Maria Inês Silva lê o seu texto, vencedora do primeiro prémio Camões.

No texto lido a todos os presentes, na cerimónia que decorreu esta manhã no Palácio de São Lourenço, a aluna vencedora, após agradecer ao Representante da República para a Madeira a distinção, assim como à família, à escola e aos professores, apresentou uma narrativa criativa, titulada “Um indiano na Madeira que se apaixona por Camões”. Um texto que recria as peripécias de um indiano que aporta à Madeira refugiado, a abordo de um cargueiro, e que reencontra a felicidade na ilha, através da hospitalidade do jovem Salvador. Um ponto de partida para a descoberta da efeméride que se celebra, na Madeira, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades, e para prestar homenagem à grandeza da cultura portuguesa e da diáspora, colocando a centralidade na figura emblemática de Camões. No texto da jovem estudante de Ciências e Tecnologias perpassam temáticas que cruzam o passado histórico e a contemporaneidade, desde o sonho português de demandar a Índia, cantado por Camões na sua epopeia, à procura do destino da Pátria nos séculos seguintes, à globalização do mundo e um apelo à interculturalidade, dado o traço característico dos madeirenses da hospitalidade por parte de outros povos, porque também os portugueses se espalharam por mundos novos que os souberam acolher e valorizar.

Constança Pereira, 2.º prémio.

O segundo prémio foi atribuído a Constança Olival Ferreira, aluna do 9.º ano do Colégio de Santa Teresinha. O terceiro prémio foi conquistado por Maria Eduarda Teixeira, aluna do 11 ano da Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral e, por fim, uma Menção Honrosa atribuída a Mateus Paulo Gouveia, aluno do 9.º ano da Escola Básica com Pré-Escolar Bartolomeu Perestrelo.

Maria Eduarda Teixeira, 3.º prémio.
Mateus Gouveia, Menção Honrosa.

O Representante da República para a Madeira congratulou todos os participantes no concurso literário, num contexto especial da comemoração dos 500 anos de Camões, mas fez questão de salientar que não se trata de uma cerimónia para exaltar saudosismos mas virada para o futuro. Aliás, recordou Ireneu Barreto, “a nossa Língua é uma riqueza que partilhamos com mais de 280 milhões de habitantes, a quinta língua mais falada no mundo”. Um património vivo que é ponte para a afirmação da cultura portuguesa.

Representante da República salienta que o concurso não é para saudosismos mas para olhar em frente.

Num tom desafiador e de apelar ao sentido crítico dos jovens, Ireneu Barreto advogou que a escola contemporânea tem de procurar ir mais além , é um verdadeiro radar social, e é fundamental para a inclusão. A leitura é o passaporte para inúmeras linguagens, desde logo, referiu, o poder de combater a desinformação que por vezes campeia na sociedade, nomeadamente através das Fake News. Conhece a realidade da escola, o trabalho árduo dos professores – que não se cansou de valorizar – e incentivou os jovens a procurarem ser criativos e audazes.

Jorge Carvalho destacou o mérito dos jovens e apoio dos professores e famílias.

Também o Secretário Regional da Educação, Ciência e Tecnologia aplaudiu os jovens concorrentes, salientando o seu esforço e o apoio dos seus professores e famílias, numa escola plural, feita de experiências diversas. Como sempre, acarinha estas cerimónias que são expressão dos talentos da pluralidade das escolas e dos discentes.

Todos os textos tiveram em comum o objetivo de salientar, de forma muito entusiástica e até apaixonada a Portugalidade, mais os brios deste país do que as misérias, perpassando nos textos dos jovens uma brisa saudável de otimismo no futuro. A alma lusitana, os impulsos do sonho, as conquistas e derrotas, a afirmação de uma cultura entre as nações, o sentimento do ser português foram alguns dos temas muito bem desenvolvidos pela juventude, numa bela homenagem à efeméride que se celebra.

Belos acordes do Quarteto Strisciata.

A música também fez parte desta festa, com a encantadora atuação do “Quarteto Stisciata”, sob a direção artística de Teresa Leão.

A cerimónia terminou com a entrega de prémios e um convívio no aprazível jardim do Palácio de São Lourenço.


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