Madeira, paraíso das motos com escapes sem silenciador

A moda não é de agora, e sempre existiu em alguns círculos, mas parece notório que se vem acentuando no meio madeirense. Basta circular no centro do Funchal para ter os tímpanos atroados pela berraria emitida por toda uma série de motos que, não sendo até na sua maioria particularmente potentes, trocam essa potência pela capacidade de emitir decibéis.

Quem quiser que faça a experiência: circule à volta das escolas secundárias centrais funchalenses, ou das lojas de conveniência abertas 24 horas, e veja a competição de aceleradelas que os jovens motociclistas protagonizam como meio de afirmação junto do sexo oposto, qual demonstração bacoca de virilidade, que, na maioria dos casos, esbarra na indiferença feminina e mesmo no escárnio.

Os verdadeiros motards, os que conduzem motos verdadeiramente potentes, por vezes com mais de 1000 cc de cilindrada, riem-se deste comportamento primitivo que pretende equiparar ruído a suposta potência de motor.

Quem não se ri é o cidadão comum, em particular aquele que circula de automóvel e que, ao contrário das motos, está obrigado a inspecção periódica obrigatória e sujeito a toda a espécie de coimas nas operações stop, até por vezes por ter um farol fundido, e que perspectiva com indignação a indiferença policial perante a sistemática violação da lei do ruído e das normas comunitárias.

De facto, dada a proliferação e o aumento dos motociclos infractores e o comportamento descarado com que se acelera muitas vezes desnecessariamente em meio ao trânsito, apenas para exibição, atroando os ouvidos dos transeuntes e contribuindo para o degradar das condições de vida na cidade, é justo questionar-se se a Polícia de Segurança Pública é, por vezes, cega e surda.

“A regulação do limite máximo de decibéis que um sistema de escape pode deixar “escapar” através da sua ponteira é algo que já existe desde os anos 90 do século passado. A cada atualização da norma de homologação europeia esse limite máximo foi “apertando”, as motos ficaram cada vez mais silenciosas”, apontava em Junho do ano passado o Moto Jornal. “Porém”, acrescentava esta publicação especializada, “os motociclistas foram sempre conseguindo, mais ou menos facilmente, remover um componente extremamente relevante para reduzir os decibéis: o “db killer”.

Em breve os fabricantes de sistemas de escape “aftermarket” passarão a fabricar ponteiras desportivas que não permitem a remoção do “db killer”, através de cones de saída que não são removíveis do corpo principal da ponteira.

No entretanto, parece não existir qualquer controle dos escapes que devem ser homologados e dotados de silenciador, nem qualquer prevenção policial ou atenção à matéria.

E os níveis de ruído no Funchal vão-se degradando, como se já não bastasse a poluição.

 


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